@angstinbloom E o pior nem é a ausência, é o ponto de interrogação que fica ecoando. A gente até aprende a conviver com o silêncio, mas como convive com a dúvida? Com essa sensação estranha de que só você ficou sentindo tudo em alta definição, enquanto o outro parece ter mudado de canal sem aviso. A pergunta que não cala não é “acabou?”, é “será que só eu senti tudo isso?”. Porque não é possível que cada “eu me importo”, cada promessa dita no meio da madrugada, cada riso compartilhado, tenha sido só atuação. A ausência machuca, mas a incerteza corrói devagar, como quem sabe exatamente onde apertar. As perguntas não respondidas doem mais do que a falta da pessoa, porque elas ficam rondando a cabeça, pedindo sentido, pedindo lógica, pedindo uma explicação que nunca vem. E esse é o erro humano: querer sentido onde só houve sentimento, querer lógica onde alguém simplesmente soube ir embora. A gente não sofre apenas pela pessoa que foi, mas pela versão de nós que acreditou em tudo aquilo. E aceitar que, às vezes, o que foi real… foi real só pra gente, é uma das dores mais silenciosas que existem.