"— Sabe Violet, você me lembra alguém, uma menino tão inteligente e gentil como você — Arthur olha ao redor, como se buscasse algo, e retira um relógio da parede, esse era vermelho e quadrado, talvez do tamanho de um livro, que ficava pendurado acima da TV — ele também demonstrava interesse por relógios, vivia me perguntando como consertá-los, e adorava me ajudar, mesmo que passássemos horas arrumando relógios um atrás do outro, naquela época, o tempo parava para nos
Arthur parecia nostálgico, falava mais para si mesmo do que para mim, se sentado na poltrona e colocando o relógio sobre a mesa
— ele não gosta mais de relógios?
— ah querida, para onde ele foi, o tempo não passa — seu sorriso é triste — mas veja, mesmo longe, ele deixou todo o seu tempo para mim — erguendo os braços, ele aponta para cada relógio ao redor — cada um desses, foi um pouco de seu tempo que ele dedicou a mim, mexendo em engrenagens, e arrumando ponteiros velhos e enferrujados, cada um desses relógios é um momento eternizado para sempre.
Arthur não era um simples colecionador de relógios, ele não ia a uma loja toda segunda feira de manhã comprar um novo modelo bonito na prateleira, e não defendia ferozmente seus relógios dos gatos da vizinha por que era zeloso, e sim por que aqueles relógios eram mais do que cucos barulhentos para ele, aqueles relógios não contavam o tempo
eles guardavam ele"