LecterNabate

Dor
          	
          	Miserável, ainda estou aqui.
          	Não por esperança —
          	Mas por inércia.
          	Houve um tempo
          	em que acreditei que teu destino tocava o meu.
          	
          	Hoje, sei:
          	Não havia destino algum,
          	apenas coincidências mal interpretadas.
          	
          	Pergunto-me por que ainda espero,
          	mas a pergunta já nasce morta.
          	
          	Não há resposta,
          	assim como nunca houve promessa.
          	
          	O silêncio não diz nada.
          	
          	Nunca disse.
          	
          	Fui eu quem o preencheu
          	com significados que não existiam.
          	
          	Tua ausência
          	não é presença deformada —
          	é só ausência.
          	
          	Vazia, simples, definitiva.
          	
          	Aquela que fui outrora
          	não riria de mim.
          	
          	Também não lamentaria.
          	
          	Não há grandeza no erro,
          	apenas erro.
          	
          	E eu,
          	cansada até de sentir,
          	permaneço.
          	
          	Não por amor,
          	não por fé,
          	nem por insistência.
          	
          	Apenas porque parar ou continuar
          	já não faz diferença.
          	
          	Não te espero mais.
          	
          	Mas também não parto.
          	
          	Nada chega a mim —
          	e isso, enfim,
          	não significa nada.
          	
          	Oi significa tudo!
          	
          	-L.D

LecterNabate

Dor
          
          Miserável, ainda estou aqui.
          Não por esperança —
          Mas por inércia.
          Houve um tempo
          em que acreditei que teu destino tocava o meu.
          
          Hoje, sei:
          Não havia destino algum,
          apenas coincidências mal interpretadas.
          
          Pergunto-me por que ainda espero,
          mas a pergunta já nasce morta.
          
          Não há resposta,
          assim como nunca houve promessa.
          
          O silêncio não diz nada.
          
          Nunca disse.
          
          Fui eu quem o preencheu
          com significados que não existiam.
          
          Tua ausência
          não é presença deformada —
          é só ausência.
          
          Vazia, simples, definitiva.
          
          Aquela que fui outrora
          não riria de mim.
          
          Também não lamentaria.
          
          Não há grandeza no erro,
          apenas erro.
          
          E eu,
          cansada até de sentir,
          permaneço.
          
          Não por amor,
          não por fé,
          nem por insistência.
          
          Apenas porque parar ou continuar
          já não faz diferença.
          
          Não te espero mais.
          
          Mas também não parto.
          
          Nada chega a mim —
          e isso, enfim,
          não significa nada.
          
          Oi significa tudo!
          
          -L.D

LecterNabate

Lacuna!
          
          Às vezes me sinto só —
          mas não é ausência.
          É você em excesso,
          ecoando onde não está.
          
          Seu cheiro apodrece nos cantos,
          impregna as paredes,
          e em cada sombra
          eu quase te encontro…
          quase.
          
          Mas é mentira.
          
          Sempre foi.
          
          Verso após verso,
          entre delírios febris e silêncios longos,
          eu te escrevo
          como quem invoca um fantasma
          que nunca responde.
          
          Te quero —
          e isso me corrói por dentro
          como algo vivo demais
          para morrer.
          
          Não posso te ter,
          a não ser nesse altar distorcido
          do meu olhar.
          
          Entre sonhos turvos e linhas tortas,
          vivemos um romance que não respira.
          Porque fora daqui,
          somos estranhos —
          
          frios,
          
          intactos,
          
          indiferentes.
          E ainda assim,
          meu coração insiste
          nesse ritual inútil:
          
          bater,
          
          doer,
          
          te chamar
          
          em silêncio.
          
          Você deseja o que não me pertence.
          
          E eu…
          eu só queria afundar
          nesses cabelos negros como noite sem fim,
          provar o veneno lento dos teus lábios,
          e aprisionar teus olhos
          dentro dos meus —
          onde nada escapa.
          
          Decidi ficar só.
          Não por escolha,
          mas por condenação.
          
          Desde que você se infiltrou em mim,
          como uma sombra paciente,
          não houve espaço
          para mais ninguém.
          Porque o que você deixou
          não foi amor —
          foi uma presença.
          E ela ainda vive aqui.
          
          A você!
          L.D
          

LecterNabate

Terceira carta a Morningstar
          
          Ele
          me acolheu outra vez,
          sem exigir as razões do meu retorno.
          Amou-me até que a aurora rompesse o céu —
          sem promessas,
          sem juramentos,
          apenas o cuidado.
          
          Suas asas
          — vastas, silenciosas —
          foram abrigo.
          
          E sua face, transfigurada,
          sussurrou-me uma verdade inevitável:
          a decadência não é destino,
          é escolha.
          E, por vezes,
          é também travessia.
          
          Aurora da manhã,
          Permita-me seguir ao teu lado —
          em silêncio,
          ou em chama.
          Que eu caminhe dócil,
          ou que eu me erga em rebelião.
          Pois tua escuridão
          Não me consome —
          Me embala,
          me reconhece,
          Me nomeia.
          
          E és tu quem diz:
          “não precisas de mim,
          pois és Deusa.”
          E sendo Deusa,
          senhora de teu próprio domínio,
          não tardará —
          uma nova era há de nascer de ti
          
          — L.D.

LecterNabate

É como se você estivesse aqui,
          Em profundo silêncio,
          Espreitando pelas frestas
          Daquilo que poderia ser,
          Daquilo que não fui,
          Do que imagino ser.
          
          Te sinto
          
          Em cada nuance,
          Em cada respiração,
          Em cada pensamento.
          
          Esse vazio não é só vazio.
          Está preenchido pelos teus ecos,
          Pelos teus olhos
          E por tua voz
          Que chega na mansidão de uma noite
          Na qual não consigo dormir.
          
          Eu sei que você está aí.
          
          Aqui.
          
          Você não me deixou só.
          
          Você não foi.
          
          Eu sei.
          
          Você ainda quer escutar.
          
          E, por mais que eu esteja cansada,
          Ainda sinto esse poder sobrenatural
          que me circunda.
          
          Teu cheiro desconhecido ainda está em mim.
          
          Nem conheci teu toque,
          Mas é como se fosse algo
          sem o qual já não posso viver.
          
          É como água para aquele que deseja
          a vida eterna.
          
          Fica.
          
          Eu… tô tão cansada.
          
          Volta!
          
          Só vou conseguir
          Se essa fagulha
          Se tornar uma imensidão
          e queimar até o céu.
          
          Mas o tempo brinca.
          
          Brinca como o sol
          Que faz tudo florescer depois que a chuva 
          Cessa
          E depois que a tempestade diz:
          "não quero parar — mas, quando parar, tudo mudará.”
          
          Me procuro agora 
          
          Tento reconhecer onde vou florescer.
          
          Mas sementes crescem no silêncio
          Nesse silêncio 
          Silêncio...
          Silêncio.
          
          Cartas a Morningstar 
          
          -L.D.

LecterNabate

Enfurecida vejo  o caminho
          Tortuosa é a escuridão 
          olho ao longe sua chama
          Seguindo estou
          
          Resplandecente 
          Ouço as vozes que me acompanham 
          Em tamanha procissão 
          
          Passo por abismos
          Tropeço pelo caminho
          Cega e enfurecida
          Desejo o amanhecer 
          
          Em soluços e prantos
          Rogo por me perder?
          Para onde eu devo ir?
          
          Tua a flama me chama
          Escuto no silêncio teu chamado voraz por redenção eterna
          Evoco-te grande usurpador
          Que me conceda uma retribuição descente
          {...}
          
          Cartas a Morningstar, 1.
          
          - Lady Darck
          

LecterNabate

Quando escuto aquela música, minha alma chora,
          ri
          e corre livre e solta pela vida.
          Sem medo,
          sem infortúnio,
          ou culpa por estar aqui.
          Corre até não ter pés para correr…
          Corre de felicidade pelo tempo,
          pela alegria
          e por algo inexplicável que surge…
          Esse sentimento que não sabemos de onde vem,
          que apenas vem,
          como uma bela visita de fim de tarde.
          Como o sol que adentra a casa pela janela
          e nos toca o corpo dizendo:
          — Até amanhã.
          Seria você a me tocar?
          A visita do amor que não vemos a tempo,
          mas que ansiamos ver.
          Amor…
          Seria isso que eu sinto?
          Seria esse o “contemplar a vida”?
          Ou seria apenas tristeza e saudade?
          Saudade essa que tenho todos os dias.
          Saudade do que fomos
          e tristeza do que nunca mais será.
          Mas também uma felicidade de mudança.
          De poder fazer e viver o que você não pôde.
          De poder ter um novo ver
          e ser.
          De sonhar
          e, com tua memória, viver.
          
          — Dedicada a L.S. 
          Lady Darck

LecterNabate

Benevolente eu obedeço ao chamado
          Me cercando de certezas que me amedrontavam
          Cheia de coragem
          Regozijo em tuas calidas mãos 
          Descanso em teus braços 
          Fecho meus olhos 
          
          Me vejo caminhando pelos campos
          Descendo para a balança 
          Não me envergonho de tal ato
          Me envergonho de não ter me entregado a mais tempo
          De ter me perdido no começo 
          De não ter escutado teu clamor 
          Mas aceito o final
          
          Destinada a Ammit 
          Caminho
          Aonde as sombras me abraçam 
          Onde seu calor pode me alcançar 
          
          Estou indo...
          
          
          -Lady Darck

JessicaHatsh

LecterNabate

@ JessicaHatsh  ja tô esperando é o próximo capítulo. Kakakakakaka obrigada mesmo assim!!
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