Já parou para pensar que a vida é, por si só, um acidente cuidadosamente coreografado?
Que tudo o que chamamos de destino pode ser apenas uma sucessão de escolhas, encontros e despedidas que nunca avisam quando vão acontecer e muito menos quando vão acabar.
Em algum lugar do mundo, promessas foram feitas na infância.
Em outros mares, alianças foram colocadas nos dedos, laços foram criados, filhos aprenderam a dar os primeiros passos e cicatrizes foram aceitas como parte do corpo e da alma. Havia universos inteiros onde o amor não era dúvida, mas certeza. Onde nomes eram chamados com intimidade, onde olhares se reconheciam sem precisar de explicação.
E então… tudo se rompeu.
O tempo, esse traidor silencioso, não pediu permissão. O espaço se dobrou como se a realidade tivesse errado o próprio caminho. Universos que jamais deveriam se tocar se aproximaram demais, até colidirem em um único ponto.
Não houve aviso.
Não houve escolha.
Apenas um silêncio estranho seguido pelo som constante do mar.
Quando despertaram, não estavam em seus lares, nem em seus reinos, nem ao lado daqueles que juraram amar. Estavam em um convés conhecido demais para ser coincidência… e desconhecido demais para ser o delas. O Thousand Sunny balançava suavemente sobre as ondas, como se nada tivesse acontecido, como se não carregasse agora destinos que não lhe pertenciam.
Ali, cinco mulheres abriram os olhos em um mundo que não era o seu.
Elas sabiam exatamente quem eram os piratas à sua frente. Sabiam seus nomes, suas risadas, suas manias, suas promessas nunca esquecidas. Sabiam quem haviam amado. Algumas eram esposas. Outras, promessas cumpridas. Outras, cicatrizes que aprenderam a sorrir.
Mas para eles…
Elas eram apenas estranhas.
Nenhuma memória.
Nenhuma história compartilhada.
Nenhum “nós”.
O amor existia apenas de um lado e isso, por si só, já era cruel o bastante.