Lxvell

Perder alguém não ocorre apenas quando esse alguém morre. 
          	Eu vejo meu pai todos os dias, convivo com ele todos os dias. 
          	Mas, eu perdi meu pai. 
          	
          	O que aconteceu? Tudo que passamos, não é nada pra você? 
          	Lembro de quando eu era menor e passava a noite acordada, esperando você chegar. Você sempre chegava de madrugada, algumas vezes quando o dia já estava amanhecendo. 
          	Você e a mamãe brigavam, eram brigas feias, mas nunca ocorria algo grave. 
          	Eu ficava sempre ao seu lado. Você assistia desenho comigo após a briga. 
          	Você acabava dormindo. Você sempre dormia sem coberta no sofá.
          	Eu costumava ir no quarto da minha mãe, pra então, pegar um cobertor pra te cobrir. Em seguida ia ao meu próprio quarto e pegava meu ursinho, eu chorava e falava pra aquela pelúcia viva:
          	"Hoje eu vou ter que dormir sozinha. Você vai ficar com o papai, ok? Ele precisa de você mais do que eu."
          	Era horrível dormir sem ele, mas eu tinha certeza que com aquele ursinho, você não se sentiria solitário. Eu o colocava do seu lado, e depois te cobria com o cobertor. Antes de ir para minha cama, eu sussurrava um "Boa noite, pai" e dava um beijo em sua testa. 
          	Você sempre chegava com o cheiro insuportável de bebida, mas ainda sim, eu te amava.
          	Você era gentil, divertido, era o melhor pai do mundo! 
          	Éramos tão unidos. 
          	Por que você me odeia agora? Por que me diz que sou inútil, que eu deveria morrer e que o dia do meu nascimento foi o pior dia de sua vida? 
          	Desde quando se tornou tão agressivo e insuportável? 
          	Você só berra, berra e berra. Me xinga sem motivos. E já foi capaz de bater na minha mãe. 
          	Você me odeia? Não tem problema, eu também te odeio. Te detesto e quero que minha mãe te largue. Mas não vem agir com esse papinho de "Eu sou seu pai, cala a boca e me obedeça"
          	Se me trata mal, será tratado mal. Se vier pra cima de mim sem motivo, eu irei me defender. 
          	Infelizmente, eu te perdi. 
          	Uma perca horrível, mas que já superei. 
          	                                              Você não é meu pai, não mais.

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Perder alguém não ocorre apenas quando esse alguém morre. 
          Eu vejo meu pai todos os dias, convivo com ele todos os dias. 
          Mas, eu perdi meu pai. 
          
          O que aconteceu? Tudo que passamos, não é nada pra você? 
          Lembro de quando eu era menor e passava a noite acordada, esperando você chegar. Você sempre chegava de madrugada, algumas vezes quando o dia já estava amanhecendo. 
          Você e a mamãe brigavam, eram brigas feias, mas nunca ocorria algo grave. 
          Eu ficava sempre ao seu lado. Você assistia desenho comigo após a briga. 
          Você acabava dormindo. Você sempre dormia sem coberta no sofá.
          Eu costumava ir no quarto da minha mãe, pra então, pegar um cobertor pra te cobrir. Em seguida ia ao meu próprio quarto e pegava meu ursinho, eu chorava e falava pra aquela pelúcia viva:
          "Hoje eu vou ter que dormir sozinha. Você vai ficar com o papai, ok? Ele precisa de você mais do que eu."
          Era horrível dormir sem ele, mas eu tinha certeza que com aquele ursinho, você não se sentiria solitário. Eu o colocava do seu lado, e depois te cobria com o cobertor. Antes de ir para minha cama, eu sussurrava um "Boa noite, pai" e dava um beijo em sua testa. 
          Você sempre chegava com o cheiro insuportável de bebida, mas ainda sim, eu te amava.
          Você era gentil, divertido, era o melhor pai do mundo! 
          Éramos tão unidos. 
          Por que você me odeia agora? Por que me diz que sou inútil, que eu deveria morrer e que o dia do meu nascimento foi o pior dia de sua vida? 
          Desde quando se tornou tão agressivo e insuportável? 
          Você só berra, berra e berra. Me xinga sem motivos. E já foi capaz de bater na minha mãe. 
          Você me odeia? Não tem problema, eu também te odeio. Te detesto e quero que minha mãe te largue. Mas não vem agir com esse papinho de "Eu sou seu pai, cala a boca e me obedeça"
          Se me trata mal, será tratado mal. Se vier pra cima de mim sem motivo, eu irei me defender. 
          Infelizmente, eu te perdi. 
          Uma perca horrível, mas que já superei. 
                                                        Você não é meu pai, não mais.

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Já sentiram borboletas no estômago? 
          
          É uma sensação... Engraçada, eu acho. Mas... E se essas borboletas, fossem carnívoras? Devorando cada parte de seu interior, rasgando e rasgando, te fazendo se sentir vazio a cada ataque. 
          É assim que eu me sinto. Com borboletas carnívoras em meu estômago. 
          Dói. Machuca. Elas me destroem por dentro. Elas me matam por dentro. 
          Eu não posso fazer nada, apenas sentir a dor que elas me proporcionam enquanto choro em um choro silencioso. 
          É tudo um castigo? Estou sendo punida por sempre achar que o sentimento de amar fosse algo inútil, que eu nunca iria sentir? 
          Um amor acabado, e outro incompreendido. 
          Eu estou tão vulnerável, eu não costumava ser assim. 
          Me sinto sozinha, estranha, ansiosa. 
          As borboletas não param. Eu me sinto sufocada, está difícil de respirar, realmente está doendo, eu só posso chorar e chorar. 
                                                                                           É metafórico, mas também é literal.