Moon, eu te peço quase em silêncio, como quem não quer interromper o sagrado, mas já interrompendo, porque a falta também é um ruído alto demais dentro de mim, continua tuas histórias, porque há nelas uma espécie de alimento que não sacia, apenas ensina a ter fome com mais delicadeza, e eu já percorri todas como quem atravessa uma casa conhecida no escuro, tocando os móveis com a ponta dos dedos para reconhecer que ainda estou viva, e agora me vejo aqui, diante desse vazio que não é ausência, é espera, uma espera que pulsa, exigente, quase impaciente, porque tua linguagem não me oferece apenas palavras, ela me devolve a mim mesma em fragmentos mais bonitos do que eu lembrava ser, e talvez seja isso que me assusta um pouco, essa capacidade tua de organizar o caos sem silenciá-lo, de dizer sem encerrar, então, continua, não por generosidade, mas por necessidade mesmo, como quem respira não porque quer, mas porque não há escolha, e eu fico aqui, suspensa no instante antes da palavra nascer, como quem aprende a viver exatamente dentro daquilo que ainda não foi dito.