Millerfilipine
Eu não aceitei aquela versão FDP da Billie. Ela nunca ia deixar de ajudar alguém, ainda mais a Peyton, então eu arrumei um bom motivo
Peyton não sabia exatamente por que tinha aceitado entrar naquele lugar. Talvez porque Lillie insistisse ou talvez porque Jenny praticamente a tivesse arrastado até ali ou talvez porque uma parte dela estivesse cansada de fugir.
As luzes coloridas cortavam a escuridão do salão enquanto a banda terminava mais uma música. O público gritava, cantava e pulava em sintonia.
No centro do palco estava Billie.
Cinco anos.
Cinco anos sem vê-la.
Cinco anos tentando evitar qualquer notícia, qualquer entrevista, qualquer música que pudesse trazer de volta lembranças que Peyton passou tanto tempo tentando enterrar.
Mesmo assim, bastou vê-la para tudo voltar.
A forma como se movimentava.
A voz mais madura.
A confiança.
O sorriso. Ah, aquele sorriso!
Era impossível negar que ela tinha encontrado o próprio lugar no mundo.
Enquanto isso, Peyton sentia que ainda estava recolhendo os pedaços do seu.
Ao seu lado, Jenny cantava todas as músicas.
Do outro, Lillie parecia orgulhosa demais para conseguir ficar parada.
Peyton apenas observava.
Quando a apresentação chegou ao fim, Billie começou a apresentar os integrantes da banda.
A multidão respondeu com aplausos.
Ela agradeceu aos fãs, falou sobre o contrato recém-assinado e brincou com os colegas.
Millerfilipine
Eu tive uma crise antes de embarcar, a Lillie queria ficar comigo, mas eu não deixe. Eu implorei pra ela ir no meu lugar, te ajudar no meu lugar. Porque eu simplesmente...
A voz falhou.
— Eu simplesmente não consegui.
Peyton sentiu o próprio coração apertar.
Durante cinco anos ela imaginou mil motivos.
Mas nunca aquele.
— Então por que não me contou?
Billie fechou os olhos.
— Porque isso não mudava nada.
— Billie...
— Não mudava, eu não estava lá. Você precisava de mim e eu não estava lá. Eu falhei com você e falhei comigo mesma.
A frase saiu carregada por anos de culpa.
— Quanto mais tempo passava, mais vergonha eu sentia. Depois de um ano parecia tarde demais. Depois de dois anos parecia impossível. Depois de cinco...
Ela deu de ombros.
— Eu achei que você me odiava.
— Eu tentei.
A resposta escapou de Peyton antes que pudesse impedir.
E talvez fosse a primeira vez em anos que estavam sendo honestas uma com a outra.
Naquela madrugada, já em casa, Peyton não conseguia dormir.
Spencer percebeu imediatamente que algo estava errado.
E, como sempre, foi brutalmente sincero.
Lembrou que também tinha se sentido abandonado quando ela passou um ano inteiro presa dentro do próprio quarto depois da morte do pai.
Lembrou que a depressão dela também tinha machucado pessoas.
Lembrou que às vezes amar alguém não impedia erros.
As palavras ficaram ecoando em sua cabeça muito depois que ele foi dormir.
Então Peyton pegou o celular.
Abriu o aplicativo de música.
Pesquisou o nome da banda.
A primeira música começou.
Depois outra.
E outra.
E pela primeira vez em cinco anos, não sentiu apenas raiva.
Sentiu algo muito mais perigoso.
Esperança.
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Millerfilipine
@ Millerfilipine — Eu tentei ir.
A resposta veio tão baixa que quase se perdeu.
— Eu comprei a passagem.
Peyton ficou imóvel.
— O quê?
Billie engoliu em seco.
— Quando Lillie recebeu a notícia, eu estava lá.
A voz tremia.
— Eu queria pegar o primeiro voo. Eu queria cumprir a promessa, mas eu não consegui.
— Não conseguiu?
Billie soltou uma risada amarga.
Uma risada sem humor algum.
— Eu estava doente.
Peyton nunca a tinha visto daquele jeito. Um jeito tão frágil, tão vulnerável.
— Quando a banda começou a estourar, algumas pessoas começaram a nos perseguir. Descobriram onde eu morava, depois onde eu estudava, até onde ensaiava. Tentavam encontrar qualquer pessoa ligada a mim.
Começaram a procurar você também.
Peyton sentiu um arrepio.
— O quê?
— Recebi ameaças.
Centenas delas.
Todos os dias.
Não só para mim.
Para qualquer pessoa próxima.
Ela desviou o olhar.
— Eu comecei a ter crises de ansiedade.
Depois vieram os ataques de pânico.
Depois vieram mais ataques.
Até eu não conseguir entrar em um aeroporto sem passar mal.
Peyton não disse nada.
— Quando seu pai morreu, eu estava na pior fase da minha vida.
Eu não conseguia viajar.
Não conseguia dormir.
Não conseguia respirar direito.
Finneas me encontrou no chão do banheiro do aeroporto naquele dia.
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Millerfilipine
@ Millerfilipine Tudo parecia normal. Até o instante em que seus olhos encontraram os de Peyton.
O sorriso desapareceu.
Por uma fração de segundo, o mundo pareceu parar.
Peyton sentiu o ar faltar.
Virou-se imediatamente.
Precisava sair dali.
Ela atravessou a multidão sem olhar para trás e só conseguiu respirar de verdade quando alcançou a área externa.
O ar frio da madrugada bateu contra seu rosto.
Ela fechou os olhos.
Mas não adiantou.
Ainda conseguia sentir aquele olhar.
— Peyton.
A voz a atingiu antes mesmo que ela se virasse.
Billie estava ali.
Mais perto do que estivera em cinco anos.
— Não.
Peyton tentou continuar andando.
Billie segurou seu braço.
— Por favor.
Aquela palavra quase a fez rir.
Por favor.
Depois de cinco anos.
— Eu sinto muito.
Peyton fechou os olhos.
— Não faz isso.
— Eu sinto muito.
— Não faz isso.
— Peyton...
— Você prometeu.
O silêncio caiu entre elas.
— Você prometeu que estaria lá.
Billie abaixou a cabeça.
— Eu sei.
— E você não estava.
As palavras saíram mais duras do que Peyton pretendia.
Mas eram verdadeiras.
— Meu pai morreu.
A voz dela falhou.
— E eu fiquei sozinha.
Billie pareceu encolher.
— Eu sei.
— Não. Você não sabe.
Lágrimas começaram a surgir.
— Eu precisava de você.
Pela primeira vez, Billie pareceu prestes a desmoronar.
— Eu queria ter ido.
— Mas não foi.
Mais silêncio.
Então Billie respirou fundo.
Como alguém se preparando para tirar o ponto de uma ferida.
— Eu tentei.
Peyton franziu a testa.
— O quê?
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