A minha relação com o My Chemical Romance começou muito cedo, tipo, aos 11 anos. Eu não sei se eu amo a ideia de morte porque sou fã do MCR ou se eu sou fã do MCR porque amo a ideia de morte. A realidade é que essa persona do Gerard Way me ajudou a me apropriar do meu luto pela existência e acho que realmente essa banda salvou minha vida de alguma forma. Acho que se não fossem esses elementos pra me identificar e me sentir parte de algo eu não teria encontrado formas de me expressar e usar meu potencial criativo.
Minhas dificuldades de relacionamento com outras pessoas sempre foi muito clara, então, apesar de sempre me sentir sozinha, acabava criando barreiras e ficando mais sozinha ainda. E quando qualquer pessoa acabava ultrapassando essas barreiras, quando eu sentia que alguém me "entendia" eu acabava despejando todas as minhas obsessões sem filtros e sobrecarregando essa pessoa com meus exageros. Não é algo que tenha melhorado muito, e a solidão ainda é parte da minha constituição, tanto que vivo surtando, mas criei algumas alternativas pra continuar e o MCR é parte dessa história, porque quando tudo dá errado eu lembro que posso direcionar minhas tristezas pra criatividade.
Minha percepção deles hoje em dia é completamente diferente, mas a criança que não conseguia se sentir verdadeiramente conectada com as pessoas ao redor agradece.