Eu me pergunto seriamente se essa facilidade de escrever sobre um pai que enxerga a gravidade e realmente tenta mudar a relação com a filha, não seja na verdade, a personificação do meu próprio desejo. Não seja um universo que eu criei a partir da realidade que eu gostaria que fosse refletida na minha, de pais ausentes emocionalmente.
Eu me pergunto se tudo isso que eu escrevo não seja algo que eu realmente gostaria que acontecesse no ambiente em que eu vivo.
Eu me pergunto se esse pai que quer ser um pai melhor pra filha, não seja o sonho que eu criei de que, talvez um dia, os meus próprios não entendam e tentem também. Porque eu estaria disposta a melhorar com eles.
Eu acho que a maioria das coisas que eu escrevo se trata do meu reflexo de verdade. Dos meus sonhos, das minhas dores, das minhas saudades, de sentimentos que eu não ousaria falar e de momentos que eu queria e quero viver.