Quando eu morrer, quero que minha morte carregue algum tipo de honra.
Não uma honra grandiosa como nos livros de história, mas uma que faça sentido para aqueles que me amaram e cuidaram de mim.
Quero que, quando meu nome for lembrado, ele não traga apenas silêncio ou pena, mas um certo orgulho, como se minha existência tivesse deixado alguma centelha de coragem no mundo.
Quero ser daquelas pessoas que viram nome de rua,
ou que, um dia, alguém menciona em um documentário bonito e melancólico na televisão,
com trilha suave e palavras que tentam explicar quem eu fui.
Não porque eu precise ser lembrada,
mas porque gostaria de acreditar que minha passagem por aqui significou alguma coisa.
E se, por acaso, minha morte não lhes for útil…
se ela não carregar lição, inspiração ou consolo algum…
então peço desculpas antecipadamente
por não ter sido suficiente enquanto estive viva.
Às vezes me pergunto por que penso tanto em honra.
Por que esse desejo estranho de partir deixando algo digno para trás.
Talvez eu venha de um sangue orgulhoso demais.
Talvez eu tenha herdado esse peso invisível que diz que viver precisa ter propósito, que até a morte precisa ter sentido.
Você já ouviu falar de meraki?
É quando alguém coloca a alma inteira naquilo que faz.
Ou de mizpá?
A promessa silenciosa de que duas almas permanecem ligadas mesmo quando estão separadas.
Talvez seja isso.
Talvez, no fundo, tudo o que eu quis foi viver, e até partir, com a alma inteira.
Porque, se um dia minha história terminar,
que seja por algo maior do que o vazio.
Que seja, ao menos,
por amor.