Roxo é a cor que me representa.
Roxo é dor contida, é o sangue que não escorre, mas queima por dentro.
É a cor das noites em que o mundo silencia e eu escuto meus próprios fantasmas sussurrando lembranças que doem.
Roxo é o que sobra quando o amor morre e a esperança não nasce,
é o tom do coração que insiste em bater mesmo cansado.
Roxo é a coragem dos que caem devagar, sem alarde, mas com alma.
É o perfume do último suspiro, a tinta das cartas que nunca foram enviadas.
Roxo é o grito que engoli, o abraço que ficou no ar,
a promessa de que, se eu tiver de desaparecer, será com o peito aberto e a verdade à mostra.
Se o vermelho é a morte que consome, o roxo é a morte que entende.
E se for pra morrer, que o céu se pinte de roxo,
pra que saibam que eu lutei em silêncio,
e que até o fim, eu quis transformar a dor em beleza.