— Eu nunca amei alguém como eu te amei... — murmurou, a voz baixa e embargada, quase um sussurro quebrado que escapava entre os lábios trêmulos. Seus olhos, brilhantes de lágrimas contidas, fixaram-se nos dela por um instante intenso, antes de vacilarem. Os dedos, frios e hesitantes, buscaram os dela, entrelaçando-se com uma urgência desesperada, como se aquele toque fosse a última coisa que a impedia de desabar por completo.
— Por isso não consigo te esquecer — continuou, a voz falhando no final, enquanto um soluço reprimido subia pela garganta. Ela respirou fundo, o peito arfando visivelmente, e desviou o olhar para o chão, mordendo o lábio inferior com força para conter as lágrimas que já escorriam quentinhas pelas bochechas. Uma mão livre subiu instintivamente até o rosto, enxugando-as com as costas dos dedos, num gesto rápido e envergonhado.
— Esqueça tudo aquilo que eu falei... — pediu, a voz agora mais fraca, carregada de arrependimento e vulnerabilidade. Fechou os olhos por um segundo, como se doesse demais sustentar o peso daquele momento, e então os abriu novamente, buscando os dela com uma intensidade suplicante. — Mas guarde na lembrança que eu te amo… — sussurrou por fim, as palavras saindo entrecortada, enquanto um tremor percorria seu corpo inteiro e ela apertava ainda mais os dedos entrelaçados, como se temesse que ela os soltasse para sempre.