Amei alguém que nunca me escolheu. Amei uma ideia, uma ilusão que construí para não aceitar a realidade. Dei tudo o que tinha, sem medo, sem limites, e fiquei a assistir enquanto ele entregava o que eu queria a outra pessoa — alguém próxima, alguém que sabia.
Desde o dia em que o vi pela primeira vez, algo em mim ficou preso naquele momento. O tempo passou, mas eu não passei com ele. Ver os dois juntos todos os dias é como reviver a mesma perda, uma e outra vez. Às vezes ainda penso “e se fosse eu”, mas a resposta nunca muda. Nunca fui. Nunca serei.
Depois dele, o amor fechou-se em mim. Não voltou a entrar ninguém. Não por falta de tentativas, mas por falta de espaço. O amor deixou de ser esperança e passou a ser desconfiança. Deixei de acreditar, como quem deixa de acreditar numa história bonita demais para ser real.
Hoje não acredito no amor. Talvez um dia volte. Talvez não. Mas agora só sei que estou cansada de sentir e de perder.