_autoravt

Para C.C,
          	
          	Vi o vestido da sua noiva.
          	
          	Ela fica bem de branco.
          	
          	Eu também ficaria.
          	
          	Você quer casar comigo?
          	
          	Eu posso ser jovem e tola.
          	Idiota como uma pedra.
          	Uma coisa pequena e inconveniente,
          	uma pulga perdida no seu cachorro,
          	uma praga no seu gado,
          	um verme escondido no seu banheiro.
          	
          	Qualquer coisa.
          	
          	Só olhe para mim.
          	
          	Por favor.
          	
          	Olhe para mim.
          	Me enxergue.
          	
          	Nem que seja por um segundo.
          	
          	Me use.
          	Me descarte.
          	Me adore.
          	Me despreze.
          	
          	Mas não me ignore.
          	
          	Deixe-me te amar.
          	Deixe-me te odiar.
          	
          	Porque eu te odeio tanto
          	quanto amo.
          	
          	E amo tanto
          	que às vezes parece ódio.
          	
          	Então me deixe livre.
          	
          	Ou me prenda.
          	
          	Só não me deixe invisível.
          	
          	Deixe-me amar você.
          	Deixe-me destruir você.
          	Deixe-me ser destruída por você.
          	
          	Mas, por favor—
          	
          	olhe para mim.
          	
          	— Dom, 23/Ago.

_autoravt

Para C.C,
          
          Vi o vestido da sua noiva.
          
          Ela fica bem de branco.
          
          Eu também ficaria.
          
          Você quer casar comigo?
          
          Eu posso ser jovem e tola.
          Idiota como uma pedra.
          Uma coisa pequena e inconveniente,
          uma pulga perdida no seu cachorro,
          uma praga no seu gado,
          um verme escondido no seu banheiro.
          
          Qualquer coisa.
          
          Só olhe para mim.
          
          Por favor.
          
          Olhe para mim.
          Me enxergue.
          
          Nem que seja por um segundo.
          
          Me use.
          Me descarte.
          Me adore.
          Me despreze.
          
          Mas não me ignore.
          
          Deixe-me te amar.
          Deixe-me te odiar.
          
          Porque eu te odeio tanto
          quanto amo.
          
          E amo tanto
          que às vezes parece ódio.
          
          Então me deixe livre.
          
          Ou me prenda.
          
          Só não me deixe invisível.
          
          Deixe-me amar você.
          Deixe-me destruir você.
          Deixe-me ser destruída por você.
          
          Mas, por favor—
          
          olhe para mim.
          
          — Dom, 23/Ago.

_autoravt

Pregador na ponta dos meus dedos,
          prego na minha língua.
          
          Meus olhos piscam lentamente
          enquanto algo em mim escorre.
          
          Não há gosto.
          Não sinto nada.
          
          Deveria ser dor,
          mas eu gosto da sensação,
          eu gosto disso.
          
          Escrevendo palavras patéticas e sem sentido.
          
          Vermelho nos meus joelhos,
          vermelho nas minhas pernas.
          
          Dei à luz ao meu sofrimento,
          mas eu o amo mesmo assim.
          
          Amamento, alisando sua cabeça,
          te visto com as melhores roupas.
          
          Meu enxoval é vermelho.
          
          Meu pecado é vermelho e pequeno,
          como uma criança egoísta no parque
          num filme barato no cinema.
          
          Minha criança é pequena.
          Cresceu em mim e me suga todos os dias.
          
          Meu pecado me acompanha.
          E sei que ele irá cuidar de mim
          quando eu estiver com a pele enrugada.