Ô diazinho filho da puta.
Daqueles que começam podres antes mesmo do sol nascer.
O tipo de dia que entra pela pele como ferrugem, corrói devagar, sem pressa, só pra ter certeza de que vai doer direito.
Hoje tudo irrita.
O barulho das pessoas, o jeito que respiram, as perguntas idiotas, os sorrisos falsos, essa porra de rotina repetida até virar tortura.
Parece que o mundo inteiro acordou com a missão específica de empurrar mais um prego dentro da minha cabeça.
E o pior é essa sensação absurda de incredulidade.
Porque em algum momento eu realmente achei que as coisas iam melhorar.
Achei mesmo.
Que ingenuidade miserável.
Mas a vida tem esse talento grotesco de pegar qualquer esperança pequena e esmagar na sola do sapato como se fosse nada.
E você fica ali, encarando os próprios destroços, com um ódio tão profundo que já nem explode mais — ele ferve quieto.
Frio.
Pesado.
Do tipo que apodrece por dentro.
Tem raiva que passa gritando.
Essa não.
Essa transcende.
É um cansaço violento de existir no meio de tanta falsidade, tanta decepção, tanta promessa vazia.
Uma vontade irracional de desaparecer só pra não precisar olhar na cara desse circo mais um dia.
Ô diazinho filho da puta.
Tomara que acabe logo antes que eu acabe junto.