Querido C.,
Escrevo porque não consigo mais fingir que isso não existe.
Não consigo evitar o sentimento mesquinho que me atravessou quando assisti ao seu casamento. Quando ouvi seus votos, quando vi você fazer aquele juramento solene, senti algo feio crescer dentro de mim. Me senti patética.
Você nunca me olhou, nem sequer para que eu fosse seu erro, seu caso proibido. Você nunca me olhou de verdade. E isso dói mais do que qualquer rejeição explícita.
Eu sei que deveria me afastar. Superar. Parar de invejar sua mulher perfeita. Mas tudo o que minha mente insiste em criar são cenas de vocês brigando, de rachaduras nesse amor que você jurou ser eterno. E isso me deixa feliz. Uma felicidade pequena, vergonhosa, mas real.
Sou desprezível por isso.
Choro todas as noites tentando arrancar esse sentimento de dentro de mim, esses sentimentos que se multiplicam e me sufocam. Eu tento, tento, tento… e nunca consigo. Você me amarrou ao seu corpo sem nunca ter me tocado de verdade. Fez um nó firme demais para ser desfeito. Você me amaldiçoou até nos meus sonhos; mesmo quando durmo, é você quem aparece.
Ainda assim, eu agradeço pela sua rejeição. Porque foi ela que me permitiu te despir na imaginação, te projetar parado no meu quarto, sem nada escondendo seu corpo, levando consigo tudo o que ainda resta de mim.
Eu te agradeço.
E eu te amo.
Sempre te amarei.
Com tudo o que nunca foi seu,
T.