O amor de Katrina por Hector a cegava para a crueldade em que vivia. Ela acreditava que aquele era o preço a pagar para ser forte, acreditava que era assim que os campeões se faziam — quebrados, marcados, moldados pelo aço da violência. Mas a realidade era que ela estava sendo esmagada, não apenas fisicamente, mas emocionalmente, espiritualmente. Cada golpe que ele lhe dava não a tornava mais forte; a dilacerava, pouco a pouco. E ela não via isso. Como poderia ver? O amor que sentia por seu pai a envolvia como uma névoa densa, obscurecendo sua visão e tornando tudo o que ele fazia como parte de algo que ela precisava, algo necessário. Ela queria que ele visse nela a campeã que ele desejava, a filha que ele sonhava ter, mesmo que isso significasse esmagar sua essência.
Katrina estava tão acostumada à brutalidade, à pressão constante, que aquilo já não a assustava mais. Ela não via os hematomas, não sentia mais a dor — ou pelo menos não da forma como uma pessoa saudável sentiria. Para ela, o amor que sentia por Hector estava entrelaçado com o sofrimento, e ela não sabia como separar um do outro. Era uma armadilha, um ciclo vicioso onde a dor e o afeto se confundiam. O amor de Katrina Rivera pelo pai a cegava da torturante realidade em que ela vivia, e ela não sabia que sua alma estava se desintegrando, peça por peça, a cada treino, a cada agressão disfarçada de ensinamento.
Ela queria acreditar que aquilo era amor, que aquilo era o único caminho para ser alguém no mundo, mas estava se perdendo nesse labirinto sem saída. E o pior de tudo: ela não sabia que poderia ser diferente. Não sabia que o amor verdadeiro não se baseava na dor, que a força não era forjada pela brutalidade. Mas Hector Escobar, com sua insanidade, a havia feito acreditar no contrário, e ela estava prisioneira desse falso amor.