- Vai lá Bi!
- Não vou nada, vocês acham que sou quem?
- Uma falsa que queria apanhar um bebedeira e colecionar memórias para contar aos filhos.
- Filhos, que por este andar, não vais ter. - Maria juntou-se a Lara para aumentar a pressão. - Vai lá amiga, não pode ser assim tão mau.
Respirei fundo, bebi o restante líquido alcoólico sem pensar duas vezes, levantando-me da mesa. Se sabia o que ia fazer? Não. De todo. Mas, certamente, a quantidade de comédias românticas que passaram no ecrã da minha televisão iriam servir para algo um dia. Creio, que esse dia chegou.
Ou noite.
Dirigi-me à mesa dos atletas e influencers no momento em que um deles se levantou, deixando o lugar vago para me sentar. Corajosa? Nem perto. Só meio alcoolizada e com uma palavra para manter.
Ao sentar-me na cadeira, a conversa cruzada entre três rapazes terminou. Era eu o centro das atenções. Se gostava? Não. Pressionei os lábios, interiorizando tudo aquilo que pretendia dizer. Tinha encenado inúmeras vezes aquele momento antes de adormecer e nas horas menos mexidas no trabalho. Era só colocar em prática. Tinha como dar errado? Hum… Não?
- Olá.
- Olá. - O rapaz para quem olhava fixamente numa tentativa de ler os pensamentos respondeu, deixando os amigos atentos.
- As minhas amigas disseram-me que és mais bonito ao vivo. Vim comprovar.
- E… Estão certas?
- Não sei, ainda estou a analisar.
- Queres ver mais perto? - Pousou os cotovelos na mesa, aproximando o seu rosto do meu. - Se quiseres, ainda te podes aproximar mais.
Assim o fiz.
Ele entrou facilmente no meu jogo. Deixou-me menos receosa de uma reação menos boa. Ao pousar os cotovelos na mesa, pousei o queixo nas mãos e mantive o meu rosto bastante perto do dele. Mais do que esperava.
- Os meus amigos dizem que os teus lábios são mais bonitos ao perto.
- Queres tirar as dúvidas? - Respondi de imediato, surpreendendo-me bastante. O meu rosto aqueceu. Os burburinhos começaram.
- Quero.
(…)