Se existe mesmo um equilíbrio entre coisas boas e ruins, para onde foi o meu?
Há certos meses tenho notado que venho me perdendo em meio às situações catastróficas da minha vida, cambaleando entre vales sufocantes e escuros que antes faziam parte de mim, mas que agora não passam de flashbacks péssimos de quem, um dia, eu fui e do quão fadada estou, sempre atrás, sempre distante, sempre presa e perdida em situações que já deveriam ter sido superadas há tantos anos.
A grande verdade é que tenho me perdido em meio a tantas tentativas de ser boa o suficiente, e saber que não consigo ser tão boa quanto era uma vez está corroendo minha pele e transformando-a em carcaça.
Essa carcaça se sente cansada e pesa cada dia mais, obrigando-me a arrastá-la pelo chão tal qual um peso morto e decomposto.
Tenho me perdido no cansaço que sinto toda vez que abro os olhos e encaro o mesmo teto, o mesmo reflexo, o mesmo sentimento agoniante. Cansada de não ser ouvida, respeitada, e cansada de sentir que eu não faço parte de nada.
Até porque, onde está o ambiente em que eu me encaixo?
Ele sequer existiu um dia, e não parece exagero quando olho para os lados e vejo que nunca, jamais, diz parte de algo verdadeiro e real, e que, na verdade, nenhuma qualidade minha é boa o suficiente.
Para sempre a pessoa que não é boa em nada, apenas consegue de vez em quando.