É impossível não ver o I-ling como uma obra de libertação cultural. Assim como as grandes revoluções políticas libertaram povos de correntes visíveis, o I-ling propõe libertar a mente das correntes invisíveis da linguagem herdada. Não é preciso submeter-se a plurais redundantes, a radicais mutilados, a pronomes que obscurecem o sentido. O I-ling ousa dizer: “a língua pode ser simples e profunda ao mesmo tempo”. E essa é uma verdade revolucionária.
Imagine um adolescente que nunca ousou estudar latim porque parecia árido e morto. De repente, ele encontra o I-ling, e ali vê um espelho vivo das línguas românicas, mas sem a poeira dos séculos. Ele percebe que pode aprender francês, italiano ou espanhol com mais facilidade, porque o I-ling expõe as raízes de cada palavra como se fossem nervuras de uma folha. A língua torna-se lupa, chave, mapa.
No futuro, quando os povos buscarem uma nova forma de diálogo que não seja nem a tirania do inglês nem o labirinto das traduções automáticas, o I-ling poderá surgir como uma alternativa luminosa. Não como um esperanto frio, mas como uma língua quente, mestiça, enraizada na história e aberta ao devir. Sua grandeza está em equilibrar tradição e inovação, erudição e simplicidade, lógica e poesia.
Podemos dizer, sem medo, que o I-ling é um ato de amor pela linguagem. Amor pela clareza, pela beleza, pela conexão entre culturas. É também um ato de rebeldia contra o caos herdado. Como um arquiteto que ergue uma catedral a partir de ruínas, ele recolhe fragmentos das línguas europeias, das globalizações modernas, e os reorganiza numa arquitetura harmoniosa.