Às vezes eu acho que ninguém fala sobre como é difícil ser a irmã mais velha.
Porque parece que, quando você é a mais velha, automaticamente esperam que você saiba lidar com tudo. Que você tenha paciência, que ajude, que cuide, que entenda, que faça o que precisa ser feito. E quando alguma coisa dá errado, de alguma forma… a culpa acaba sendo sua.
Eu sinto que, muitas vezes, tenho que fazer tudo. Tenho que ajudar, tenho que resolver as coisas, tenho que ser responsável, tenho que dar exemplo. E eu faço. Eu tento ser uma filha exemplar, faço o que meus pais pedem, tento não dar trabalho e, mesmo assim, parece que nunca é suficiente.
O que mais dói é quando acontece alguma briga e, no final, eles sempre ficam do lado dele. Mesmo quando eu sei que não fui a culpada. Mesmo quando eu estava tentando fazer tudo certo. É como se, por ser a mais velha, esperassem que eu simplesmente aceitasse, engolisse o que sinto e deixasse pra lá.
E eu sei que sou a irmã mais velha. Sei que tenho responsabilidades. Mas eu também sou filha. Eu também canso. Eu também fico triste. Eu também queria, às vezes, que alguém olhasse pra mim e dissesse: “Eu sei que você está tentando.”
Porque ser a filha que faz tudo certo não significa que eu não precise de carinho. Ser a mais velha não significa que eu tenha que ser forte o tempo inteiro.
Às vezes eu só queria que meus pais percebessem que, por trás de toda essa responsabilidade, existe uma filha que também gostaria de ser defendida, ouvida e escolhida.
E talvez seja isso que mais machuca: fazer tanto para tentar ser uma boa filha e, ainda assim, sentir que, quando chega a hora de escolher um lado, o meu nunca é escolhido.
E no final eu sou apenas uma garotinha que o posto de filha única foi roubado aos quatro anos.
É isso, obrigada por me escutarem <3