Eu sou, no geral, uma pessoa muito feliz, mas também reflito demais, algo que é ao mesmo tempo uma bênção e uma maldição. Quero que as coisas aconteçam logo, mas morro de medo de que elas passem sem que eu possa aproveitar.
"Será que eu anseio tanto pelo futuro que não percebo que o agora é toda a minha vida?" - Eu penso nisso obsessivamente.
Eu sou uma revisora de histórias e, como tal, passo grande parte do meu tempo tentando entender como avaliar uma história com cuidado e respeito pelo autor. Passo também grande parte do tempo, é claro, encontrando novas histórias.
E por conta disso, acabo conhecendo (mesmo que superficialmente) mais pessoas do que posso contar.
Mas mesmo assim, não deixa de ser um contato meramente superficial. Um resquício do meu tempo para algo que, para aquela pessoa, poderia ser toda a sua vida. Parece injusto quando eu penso assim, então, novamente, eu reflito.
"Será que eu estou aproveitando o suficiente?"
Muitos desses autores talvez sejam pessoas incríveis, pessoas gentis, pessoas curiosas, pessoas que sonham muito. Ou talvez não.
Talvez muitos deles estejam vivendo felizes, talvez muitos deles não estejam mais vivendo
Mas eu nunca vou saber, não é?
Talvez muitos deles acreditem que suas histórias não eram lá tão boas, talvez acreditem que elas nunca serão lidas, e talvez eu nunca tenha a oportunidade de dizer que elas não foram apenas lidas, mas também apreciadas.
Quantos bons autores eu ainda não conheci e quantos bons autores eu nunca vou ser capaz de conhecer?
Acho que parte de viver uma boa vida é aprender a apreciar mais as dúvidas do que as respostas.