#ALIVE não é nem de longe, o melhor filme de zumbi que já assisti. E, ainda assim, ironicamente, está entre os meus favoritos. Irônico, não? Eu mesma consegui apontar uns quatro ou cinco furos no roteiro sem precisar me esforçar muito e mesmo assim, continuo voltando a pensar e assistir ele sempre que quero. Talvez seja pelo jeito como o filme equilibra o caos com a solidão quase sufocante do protagonista. Talvez seja pela tensão que nunca relaxa de verdade, mesmo nos momentos mais "tranquilos". Mesmo gostando, eu não diria que a direção reinventa o gênero, mas sabe usar a câmera com inteligência, os ângulos e enquadramentos ampliam a sensação de isolamento. O Yoo Ah-in traz uma vulnerabilidade tão crua ao personagem principal, que a luta pela sobrevivência se torna palpável, quase íntima, e até engraçada em alguns momentos. É raro ver isso em filmes do tipo, que costumam apostar apenas na ação ou no gore. Mas esse traz um tipo de burrice humana na lata.
No fim, #Alive é cheio de imperfeições, mas tem uma energia que prende. Ele prova que não é preciso ser perfeito para ser marcante. Para mim, a força do filme está nesse lembrete: às vezes, o que nos mantém vivos não é só a sobrevivência em si, mas a necessidade de continuar conectado a algo ou a alguém. Muita gente vê a relação entre Jun-u e Kim Yu-bin como romance. Mas, honestamente? Eu não vi nada de amor. Vi sobrevivência compartilhada. Dois seres humanos agarrados um ao outro para não enlouquecer em meio ao colapso. Não era “eu gosto dela” ou “eu gosto dele” era “ele/ela precisa viver, porque se sobrar só eu… eu me mato.”. E isso, para mim, é bonito de um jeito quase brutal. Um lembrete de que, no fundo, ninguém sobrevive sozinho. Sempre precisamos de alguém que nos lembre que ainda somos humanos, mesmo quando o mundo inteiro já deixou de ser.