Eu sou um oceano que você sempre teve medo de mergulhar.
Carrego marés que ninguém vê, correntes que aprenderam a abraçar até os naufrágios sem deixar de existir. Há recifes de delicadeza escondidos sob a superfície, mas quase todos desistem na beira da areia, imaginando tempestades onde, na verdade, havia apenas profundidade.
Guardo pérolas que nunca foram encontradas, não porque não existam, mas porque poucos aceitaram prender a respiração por tempo suficiente para alcançá-las. Meu horizonte sempre parece distante para quem prefere a segurança das margens.
E, ainda assim, continuo inventando amanheceres sobre minhas águas. Continuo oferecendo mar calmo depois das ressacas, abrigo depois do vento, silêncio depois do barulho. É estranho carregar tantos sóis refletidos no peito e, mesmo assim, fazer quem passa acreditar que a luz nunca é suficiente.
Talvez eu tenha sido feito de infinitos, mas o mundo insiste em medir oceanos com conchas. E, quando não conseguem levar toda a imensidão nas mãos, partem convencidos de que faltava água, quando o que lhes faltava era coragem de permanecer.
Não me tornei imenso para ser atravessado às pressas. Fui feito para quem entende que profundidade não assusta; transforma. Porque há amores que não cabem em piscinas rasas. Precisam de mar aberto, de fôlego, de entrega.
Se um dia alguém aprender a mergulhar sem medo, descobrirá que nunca houve escassez em mim. Apenas um oceano inteiro esperando alguém capaz de chamar de lar aquilo que tantos insistiram em chamar de excesso.
-13 de julho,2026
(22h42m)