Conheci Proust por uma obra despretenciosa que li dele, quando estava interessada em vários escritores alemães. Dentre eles, o Raine. Ele conversa muito com Proust, logo notei. Mas não li sua obra principal, por uma escolha deliberada que tomei na adolescência, enquanto estudava a física do tempo. Eu tinha escrito tanta coisa aqui, que se apagou no meio de bug do Wattpad e estou chateada. Só recuperei o início do texto, o restante se perdeu. E não quero tentar refazer o sentimento que tive, foi um momento no tempo que se perdeu.
Ah, lembrei de uma coisa.
É curioso porque eu sei o conceito de tempo abordado por ele. Não é tão diferente do que já vi em Rainer, e também dos textos que já li do próprio Proust. A decisão que tomei pode simplesmente não se concretizar. De esperar os trinta anos para ler Em Busca do Tempo Perdido, mas acho que tudo tem um tempo certo. Não era uma obra que eu tinha experiência de vida para aproveitar como começo a ter agora. E, como Rainer diz, vivo a vida em círculos cada vez maiores, provavelmente não vou terminar o último. Pode ser que meu último seja antes do que planejei, mas não é um arrependimento. É uma simples e deliberada escolha. Cada escolha é a ausência de outra coisa, cada omissão também. Não agir também é uma escolha. E a vida é simples assim. A gente sempre abre mão de algo. Às vezes só não percebemos porque fazemos isso diariamente e não parece ser a maior decisão do mundo. Até que precisa ser. E parece cruel demais ter que escolher. Só que é isso que fazemos, desde sempre. E quando deliberadamente escolhi meu Bias no BTS, sequer imaginei que dois anos depois no debut solo dele, ele usaria o conceito de Rainer logo na estreia solo, justamente com esse poema de Rainer tatuado no corpo. A vida pode ser incrível se a gente olhar com outros olhos. Ou pode ser terrível. É sua escolha.