Existe um sentimento que sempre me persegue quando termino um filme romântico.
Não é tristeza. Também não é felicidade.
É uma saudade estranha de uma vida que eu nunca vivi.
Saudade de uma estrada onde eu nunca dirigi, de uma cidade que talvez nem exista, de alguém que nunca segurou a minha mão enquanto uma música tocava baixinho no carro.
A Lana Del Rey sempre me passa essa sensação. Como se algumas canções fossem lembranças emprestadas de uma versão minha que existiu em outro lugar, em outro tempo.
Às vezes penso que o amor é exatamente isso.
Não encontrar alguém que complete você, mas alguém que desperte memórias que nunca aconteceram. Alguém que faça um pôr do sol parecer uma cena de cinema, que transforme o silêncio em companhia e os dias comuns em algo que você vai querer lembrar para sempre.
Talvez seja por isso que eu ame tanto obras românticas.
Porque, por duas horas ou mais, eles me fazem sentir falta de um lugar onde meu coração jura que já esteve, mesmo sabendo que nunca esteve.