planetaerrante

[...] E aí parece, de repente
          	Que a única solução é me desligar, eternamente
          	Mas eu não tenho coragem, sou covarde
          	Covarde o bastante a ponto de não viver
          	Covarde o bastante a ponto de não morrer
          	
          	Então eu tomo a pílula que faz dormir
          	Talvez assim eu esqueça que existo [...]
          	

planetaerrante

[...] E aí parece, de repente
          Que a única solução é me desligar, eternamente
          Mas eu não tenho coragem, sou covarde
          Covarde o bastante a ponto de não viver
          Covarde o bastante a ponto de não morrer
          
          Então eu tomo a pílula que faz dormir
          Talvez assim eu esqueça que existo [...]
          

planetaerrante

queria implodir num ímpeto. escrever como clarice. inspirar e expirar os sentimentos pra fora de mim. esquecer que sou matéria e me transmutar em palavras que parecem flutuar ao ar quando libertas de uma gaiola emocional. se eu fosse uma, queria que fosse “epifania”; constante de ser relembrada e reavisada de sua trajetória alinear, por vezes aleatória e, por isso mesmo, singular. clarice. epifania. perceber que quando me sinto sozinha, é o meu “sozinha”, e de mim isso ninguém pode tirar. e que existe uma verdade que me saúda nesses momentos: a de que eu ainda estou aqui. e implodo e implodo e implodo. em pensamento, em palavras, em suspiros, em letras impregnadas no papel em tinta vermelha. e, num ímpeto, me sentir como clarice, que me fez entender que escrever é justamente o contrário de maquiar as palavras de um jeito esteticamente bonito e engessado: é se desmanchar. é aqui, nesta ruma de palavras, que eu me desmancho, e por isso, me reconstruo e enxergo a irreal totalidade de quem sou — ou ao menos do que consigo acreditar ser — e posso testemunhar a imaterial epifania. a vida é crua e a realidade não tem filtro. se é o que de fato se é. será que é tempo de morangos? 
          sim.

planetaerrante

há o direito ao grito
          então eu grito
          grito puro e sem pedir esmola
          sem pedir esmola a quem não tem o que me oferecer
          sem me render
          a realidades que não são as minhas
          eu repito, há o direito ao grito
          nisso eu acredito
          por isso eu não finjo
          que não compreendo que é preciso seguir gritando
          afim de ficar bem
          e então eu grito
          gritarei o quanto eu puder 
          até que o dia em que vier 
          minha doce epifania.

planetaerrante

Sempre odiei ter que enfrentar lugares lotados 
          Cheio de seres humanos barulhentos e todos emaranhados
          Autista que sou, tudo envolvendo pessoas sempre me desregulou
          Mas quando você chegou, me mostrou
          Que é possível sim sobreviver tranquilamente nesse mar de gente
          É porque nesse mar de gente
          Eu só consigo mesmo é reparar na gente
          Eu e você, você a me olhar
          Com seus olhos que me contam uma bela história
          Que diz que é terapêutico te amar 
          Tantas vezes você já me acalmou e me mostrou
          Que eu não preciso me esconder, pra conseguir viver
          Que tudo fica mais simples quando sua mão está na minha
          E o seu coração, em sincronia com o meu coraçãozinho medroso
          Pois é, sempre tive medo de amar alguém assim
          De dar tudo de mim... Mas como dar tudo de mim
          Se eu sempre me achei pouca coisa?
          E será que está tudo bem em gostar tanto assim 
          De outra pessoa além de mim?
          Eu fui pega desprevenida por você
          É irônico, mas eu, que sempre adorei previsibilidade,
          Não consigo sentir nada além de felicidade
          Por esse moço que surgiu do nada no meu coração 
          E até mesmo na minha cidade
          Numa tardezinha de abril, meu coração se abriu
          E quis você
          Você, que nunca mediu esforços em pegar tantos ônibus por dia pra me ver
          Você, que ama sem medidas e me contaminou com seu incrível jeito de ser
          Você, que tem o superpoder de me fazer querer viver
          Todos os clichês e coisas bregas que eu sempre critiquei
          Com um enorme sorriso no rosto, porque
          Eu não quero mais ter arrependimentos e reprimir a sinceridade do meu coração, então...
          Então sim. A resposta é sim.

planetaerrante

eu acho que eu jamais soube realmente o que era amar alguém de um jeito tão grande a ponto de que qualquer palavra que eu escrevesse, tentando traduzir meus sentimentos, acabaria por soar como uma ofensa comparado ao que de fato eu guardo dentro do peito. pois é, meu bem. é desse tanto que eu te amo: você me deixa sem palavras.

planetaerrante

Eu não consigo entender porque você se foi, eu disse a mim mesma que estaria sendo patética se parasse pra te escrever nos meus textos, mas a verdade é que eu não me importo, porque eu escrevo pra mim e não pra você. Eu sinto, e sinto por mim, não por você. E eu preciso te esquecer, te esquecer por mim, e não por você.
          
          (Mas é difícil me desapegar... Quando eu menos espero a carência bate à porta e eu desejo desesperadamente por algo especial. Que pena que no fim das contas você provou ser só mais um.)

planetaerrante

eu só queria a minha vida como ela era antes de você, de volta
          a minha monotonia, o meu abraço, a minha companhia
          eu sinto muita saudade de quem eu era sozinha
          mas (o problema é que)
          eu sinto muito mais saudade de quem eu era quando estava com você...

planetaerrante

eu odeio ter que tomar a decisão mais racional
          em assuntos do coração
          e mesmo que o calor dos nossos corpos nos aqueça
          ainda não é o suficiente pra que acabe com a frieza
          de toda essa situação
          eu só queria que você soubesse que você me ensinou
          me ensinou a voar junto com as borboletas no meu estômago
          e a flutuar sem sequer sair do chão 
          quando você dizia que me amava
          e mesmo que eu não conseguisse dizer o mesmo em voz alta
          você sabia que eu o dizia aqui dentro, no meu coração
          você me ensinou a entender os meus próprios sentimentos
          e não, você não era perfeito, e juntos nós éramos uma bagunça catastrófica
          mas foi assim que eu descobri que a perfeição está nos momentos mais inconstantes da vida
          lamento ter tido que trocar intensidade por tranquilidade
          lamento ter tido que trocar imperfeição por perfeição 
          (novamente)
          aquela mesma perfeição que tantas vezes antes me matou por dentro
          e que eu sei que continuará a me perseguir por muito tempo
          bem, eu só queria voltar a ser imperfeita com você
          beijar sua boca enquanto você exibe esse seu sorrisinho torto
          levantando as sobrancelhas sem medo de olhar pra mim enquanto fala
          com essa carinha inocente as coisas mais ousadas
          só pra me derreter de novo em doçura
          mas agora só me sobrou mesmo é o gosto amargo
          de ter que viver todo dia com saudade de você...
          sabendo muito bem que daqui a um tempo você vai estar com outra pessoa
          vivendo algum momento vazio 
          sentindo o vazio
          de tentar me esquecer 
          enquanto eu fico aqui a cada dia mais me lembrando de você
          porque eu funciono assim: preciso sentir
          então vou te sentir
          em cada canção
          em cada memória
          em cada lugar que já pisamos juntos
          em cada pensamento no qual você já morou
          (e ainda mora)
          aqui 
          dentro
          de mim.

planetaerrante

[...] mas minha mente fica em branco toda vez que sequer ouso pensar em você. todos os meus ossos estão sensíveis por sua causa; este é um sentimento que em si mesmo não encontra satisfação, é um sentimento que demanda que eu soque alguma parede (ou me agarre a você) para ser aliviado. é um sentimento que me pede e implora, sussurrando em meus ouvidos: escreva o texto.