Cinzas de um poeta ainda repousam sobre estas palavras. Cada frase nasce do que um dia ardeu e, mesmo reduzido a brasa, continua queimando em silêncio.

Não lhes darei as boas-vindas. Se decidirem permanecer, caminhem sem atalhos. Há constelações que já morreram iluminando um céu aquarelado, e suas luzes ainda se afogam no mar raso das minhas lembranças. É entre esses reflexos que repousam os fragmentos de quem fui.

Talvez encontrem beleza. Talvez apenas ruínas. Ambas dizem a verdade.

Não há nada extraordinário aqui. Este lugar não passa de uma tentativa obstinada de romper o cadeado que mantém um verso preso entre a memória e o esquecimento. Se algum dia ele escapar, talvez eu descubra que nunca escrevi para ser lido, mas para encontrar o nome daquilo que sempre permaneceu sem voz.
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