sallvys

Don't be dramatic, it's only some plastic
          	No one will love you if you're unattractive
          	Oh, Mrs. Potato Head, tell me
          	Is it true that pain is beauty?
          	Does a new face come with a warranty?
          	Will a pretty face make it better?

sallvys

Eu tenho dificuldade de falar quando algo me machuca, principalmente se é algo “pequeno”. Eu começo a me perguntar se não tô exagerando, se não tô criando problema, se não tô sendo dramática. Então eu faço o que sempre faço: eu aguento.
          
          Eu sei aconselhar os outros a se comunicarem, a não guardarem sentimento. Mas comigo é diferente. Eu tenho medo de parecer carente ou complicada. Tenho medo de transformar algo simples em algo maior.
          
          E a verdade é que eu ainda não sei equilibrar isso. Eu ainda me confundo entre ser madura e me calar demais. Entre entender o outro e me deixar de lado. Eu não resolvi isso em mim — eu só tô no meio desse processo, tentando entender até onde eu devo ceder… e a partir de onde eu começo a me abandonar. 

sallvys

Quando eu começo a entender que confiar em Deus não significa só acreditar que Ele vai realizar tudo o que eu sonhei, mas também aceitar que Ele pode cancelar alguns desses sonhos e ainda assim continuar sendo bom, algo muda dentro de mim. Eu percebo que minha fé não pode estar presa ao resultado das coisas, mas ao caráter d’Ele. Não é sobre Ele me dar exatamente o que eu quero, no tempo que eu quero, do jeito que eu planejei; é sobre confiar que Ele enxerga o que eu não enxergo e protege partes do meu futuro que eu nem sei que existem. Às vezes eu me apego a certos planos como se fossem essenciais para a minha felicidade, mas quando eu admito que Ele pode tirar isso de mim e ainda estar cuidando de mim, eu cresço. Eu deixo de ver Deus como alguém que precisa cumprir minhas expectativas e começo a vê-Lo como Pai, que pode dizer “não” não por crueldade, mas por amor e sabedoria. E, no fundo, essa confiança é libertadora, porque significa que minha segurança não depende dos meus sonhos darem certo, mas de quem Ele é.

sallvys

Falam mal como se soubessem de alguma coisa. Comentam, inventam, tiram conclusão do nada, tudo baseado em dois segundos de convivência e três suposições mal feitas. É impressionante a confiança de quem não faz a menor ideia do que se passa na cabeça dos outros.
          
          Acham que já entenderam tudo, que já decifraram cada atitude, cada silêncio, cada olhar… sendo que mal conseguiram entender metade. Julgam o que veem e ainda erram. E o mais engraçado? Se soubessem mesmo o que é pensado de verdade, iam falar mais. Muito mais. Ia faltar assunto? Nunca. Ia faltar argumento.
          
          Mas é aquilo, né. É sempre mais fácil falar do que tentar entender. Continuem analisando migalha e achando que é banquete.

sallvys

O Homem-Aranha é meu herói favorito. Não é só porque ele pula entre prédios (o que já é incrível) ou porque o traje dele é simplesmente espetacular. É porque, apesar de tudo o que aconteceu com o Peter, ele nunca deixou de acreditar nas pessoas.
          
          O Peter perdeu os pais, perdeu o tio Ben, já foi rejeitado, já foi humilhado, já se sentiu sozinho inúmeras vezes. Ele carrega culpa, responsabilidade e pressão o tempo todo. Mesmo assim, ele escolhe continuar ajudando. Ele escolhe continuar acreditando que as pessoas podem ser boas. Que o mundo pode melhorar. Que vale a pena fazer o certo, mesmo quando ninguém está olhando.
          
          O que mais me pega nele é isso: ele sofre, mas não fica amargo. Ele passa por coisas que poderiam transformar qualquer um em alguém frio ou revoltado, mas ele continua tendo esperança. Continua tentando. Continua se importando.
          
          E eu acho que é por isso que eu me identifico tanto. Porque, mesmo quando as coisas machucam, mesmo quando eu me decepciono com pessoas ou com situações, eu ainda quero acreditar que existe algo bom ali. Eu ainda quero acreditar que dá pra melhorar, que dá pra reconstruir, que dá pra fazer diferente.
          
          O Homem-Aranha não é meu favorito só pelos poderes. É pela escolha diária de ser bom, E, de certa forma, isso me resume também.

sallvys

Tô no ensino médio, o Enem tá chegando e parece que a pressão vem de todos os lados. É professor falando de vestibular toda semana, família perguntando o que eu vou fazer da vida, comparação com quem já decidiu tudo. Tem hora que eu sinto que preciso ter meu futuro inteiro planejado aos 15/16 anos, como se não pudesse errar.
          
          Mas, no fundo, eu sinto muita saudade do 9E. Saudade de quando eu estudava com a Sophia, o Caleb, o Lucas, o Miguel e o Daniel, e a maior preocupação era uma prova semanal de matemática ou um trabalho de geografia em grupo. A gente ria de qualquer coisa, conversava no meio da aula, fazia piada interna que só a gente entendia.
          
          Parece que naquela época tudo era mais leve. Hoje eu estudo pensando no futuro o tempo todo, mas às vezes eu só queria voltar pro 9E e viver mais um dia comum com eles, sem essa pressão constante sobre o que eu vou ser daqui pra frente.