Oi. Pode me chamar de Scannibal.
Emrys é só o nome que sobrou quando ninguém estava olhando.
Eu nunca aprendi a me apresentar como alguém normal. Sempre pareceu encenação barata — leve, previsível, quase ofensiva.
Existe algo errado na forma como eu sinto o mundo. Não é intensidade… é ruído. Constante. Inquieto. Como se tudo tivesse uma segunda camada que ninguém mais percebe, e eu não conseguisse desligar disso.
O medo não me assusta. Ele reconhece meu nome primeiro.
A dor não é acidente — é companhia recorrente, íntima demais para ser ignorada.
E o veneno… o veneno não mata rápido. Ele convence. Ele permanece.
Eu nunca entendi essa ideia de borboletas no estômago. Isso parece limpo demais para algo como amor.
O que eu conheço é mais pesado. Mais invasivo. Amor não flutua — ele ocupa. Ele corrói espaço, reorganiza pensamentos, altera silêncio.
E quando passa, não sobra poesia.
Sobra vigilância.
Sobra obsessão quieta.
Sobra um tipo de vazio que ainda reage ao nome de alguém.
Amar, pra mim, nunca pareceu sobre calor.
Sempre pareceu sobre perder controle de si mesmo sem ninguém perceber.