staybhp
Eu não sei exatamente por onde começar, talvez porque nem eu entenda o que está acontecendo comigo. Tem dias que só sinto... nada. Um vazio enorme, como se algo em mim tivesse se desligado e eu nem percebi quando foi.
Eu tenho me afastado de tudo. Das pessoas, das conversas, das coisas que antes me faziam sorrir. Sinto como se estivesse me escondendo do mundo, mas na verdade, acho que estou me escondendo de mim mesma. Não consigo mais me reconhecer. Não sei o que gosto, o que quero, o que sinto. E isso me dá um cansaço absurdo, aquele tipo que não passa com uma noite de sono.
Me dizem que estou cansada “à toa”, que não tenho motivos. Mas como explico esse cansaço que vem da alma? Como falo sobre o peso de fingir todos os dias que está tudo bem, quando por dentro tudo está desmoronando?
Na frente dos outros, eu sou alguém que parece feliz, tranquila, presente. Mas é só aparência. É só uma máscara que eu vesti tão bem que às vezes até eu esqueço que é falsa. No fundo, tudo o que eu queria era poder tirar essa máscara e ainda assim ser compreendida… ou, pelo menos, não julgada.
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O pior é que não sei por que sou assim. Queria me perguntar “por que você é assim?” e ter a resposta. Mas ela não vem. E talvez nunca venha. Só sei que tem um buraco dentro de mim que parece crescer a cada dia. Um lugar escuro, silencioso, frio… mas ao mesmo tempo, estranhamente familiar. Uma parte de mim quer sair correndo dali, grita por ajuda, por luz, por alívio. Mas a outra parte… se sente confortável. Se sente em casa ali dentro. Como se esse vazio tivesse virado parte de mim, como se eu pertencesse a ele. E isso me assusta — me assusta o quanto eu me acostumei com a dor, com o silêncio, com o nada.
E sabe… tem uma coisa que dói mais do que tudo isso. É aquela sensação constante de não ser especial pra ninguém. De olhar ao redor e perceber que, se eu sumisse hoje, talvez ninguém notasse de verdade. Que não existe um “você é importante pra mim” dito com sinceridade, um cuidado que não precise ser pedido. Cheguei num ponto em que só de pensar nisso já me dá cansaço. Cansaço de esperar, de procurar, de fingir que não me afeta.
Acho que no fundo, eu só queria que alguém realmente se importasse comigo. Alguém que estivesse do meu lado de verdade, que me olhasse e visse além do sorriso forçado, que me acolhesse como se eu nunca fosse perder essa pessoa. Que me fizesse sentir segura o suficiente pra não precisar fingir o tempo todo. Mas essa sensação de acolhimento, de carinho constante... hoje em dia, eu não sinto por ninguém. E dói.
Eu estou me gastando por dentro, me esvaziando a cada dia — e ninguém percebe. Mas eu também não os culpo. A máscara que coloco é tão bem feita que até eu duvido, às vezes, da dor que carrego. E talvez essa seja a parte mais solitária de tudo isso: ser invisível até quando se está gritando em silêncio.
— De alguém que só queria ser vista de verdade.
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