Liam ficou em silêncio. O tipo de silêncio que grita. Ele queria dizer algo, queria devolver o sentimento, mas estava preso entre tudo o que sentia e tudo o que sabia que não podia sentir — não ali, não naquele mundo onde microfones eram mais seguros que promessas.
— Você não devia dizer coisas assim — ele disse por fim, voz baixa, quase quebrada.
Zayn deu um meio sorriso, sem graça, com os olhos cansados de esconder o óbvio.
— Por que? Por que é verdade?
— Porque me faz querer largar tudo — Liam respondeu, encarando o chão, como se as palavras fossem perigosas demais para olhar nos olhos.
O silêncio voltou. Mais denso, mais pesado. Era como se a respiração dos dois ocupasse espaço demais. Como se qualquer movimento pudesse fazer o momento desmoronar.
— E se a gente largasse? — Zayn perguntou. De novo, com aquela calma fingida. Mas os olhos entregavam tudo: medo, esperança, amor demais pra quem nunca pôde amar em voz alta.
Liam deu uma risada seca, quase amarga.
— E ir pra onde, Zayn? Pro mundo que a gente nunca teve coragem de construir?
Zayn hesitou, como quem está à beira de um salto que não sabe se sobrevive.
— Eu ainda pularia... se fosse com você.
Dessa vez, Liam olhou. E não desviou.
Por um instante, não existia banda, contrato, fãs, medo, imprensa. Existia só eles dois. E talvez, só talvez... isso fosse amor.
Mas o mundo real esperava do lado de fora da arena.
E eles não estavam prontos pra ele.
Ainda.