Criaturas estranhas começaram a emergir da água, movendo-se em direção às lagartas como jacarés. Ele conseguia ver claramente suas silhuetas: eram verde-escuras, com pele pegajosa, olhos semelhantes aos de sapos, dentes de jacaré e guelras de peixe. Tinham garras afiadas nos dedos e caudas de girino.
As lagartas haviam invadido o território delas e pagariam caro por isso. A raposa ouviu guinchos e viu a água tingir-se com sangue lilás e vermelho, à medida que as criaturas mordiam e arranhavam as lagartas — embora elas próprias também fossem feridas pelos espinhos afiados.
No céu, a lua agora tinha um tom alaranjado pálido. Ele percebeu que o amanhecer estava próximo. De repente, tudo mergulhou na penumbra do crepúsculo e a raposa, imóvel, observou mais e mais daquelas criaturas se aproximarem e atacarem as duas lagartas.
Ele pegou o remo e voltou a remar em direção à margem oposta. O dia já estava amanhecendo, e ele não queria correr o risco de ser visto pelos monstros.
Estava a pouco mais de dois metros da margem quando sentiu algo sacudir seu barco por baixo. Continuou remando até sentir algo agarrar seu remo. Olhou para a direita e horrorizou-se ao ver uma das criaturas segurando a ponta do remo, com as garras cravadas na madeira.
Tentou remar para longe, mas não conseguiu. Sentiu o barco balançar ainda mais por baixo e percebeu que mais daquelas criaturas se aproximavam.
Sacando a espada, decepou a mão da criatura com um golpe rápido e preciso, saltou para fora do barco e disparou em fuga. Olhou para trás algumas vezes enquanto corria pelo campo de grama alta e amarela, ouvindo guinchos e vendo dezenas de olhos brilhando na escuridão.