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Acordei sufocada por risadas e peso em cima de mim. Flávia pulava no meu colchão como se estivesse num parque de diversões.

— Bom dia, amigaaaaa! — ela gritava, espalhando cabelos no meu rosto.

Antes que eu conseguisse reagir, Cínthia já ameaçava:
— Se não levantar, eu pego o balde de água gelada.

O choque da ameaça me fez despencar da cama direto pro chão frio. Levantei correndo e me tranquei no banheiro, ouvindo as gargalhadas delas ecoarem atrás de mim.

— Suas loucas, surtadas! — gritei de dentro, mas já estava rindo também.

Quando voltei, as duas ainda rolavam na cama como se fossem crianças. Sentei na penteadeira, tentando fingir ser a adulta da situação.
— Eu não sei por que minha mãe deixa vocês entrarem aqui.

Flávia levou a mão ao queixo, teatral.
— Talvez porque ela nos ama.

— Diferente de você, que só tolera a gente — rebateu Cínthia, com um sorriso maldoso.

— Suporta é diferente de amar — provoquei, desviando a tempo de um travesseiro voando na minha direção.

Rimos juntas, mas bastou a Flávia me olhar mais séria para o clima mudar.
— E aí, amiga… você tá bem mesmo?

A pergunta pesou. Suspirei, tentando prender o nó na garganta.
— Não, né. Hoje é meu último dia aqui. Minha última manhã nessa casa, com vocês. — A voz saiu mais baixa do que eu queria.

Cínthia, sempre direta, completou:
— E tem o Clayton também, né?

O olhar que Flávia lançou pra ela poderia matar.
— Você não consegue segurar a língua nem por um segundo?

— Tá tudo bem — interrompi, forçando um sorriso. — Mas eu vou sentir tanta saudade de vocês…

Elas me abraçaram apertado. Eu me permiti fechar os olhos, como se pudesse gravar aquele cheiro de shampoo barato e perfume adocicado para sempre na memória. O barulho de riso delas era a trilha sonora da minha vida, e eu sabia que, depois de hoje, ia viver em silêncio.

Um sonho realOnde histórias criam vida. Descubra agora