4. sleepless nights

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Uma vez que o objetivo da viagem tinha sido alcançado, Jungkook imaginou que estariam voltando para casa, para entregar a encomenda do Rei. Contudo, não tinha planos de deixar que isso acontecesse. Mesmo sem saber qual havia sido o destino de Jimin, ainda tinha de manter sua promessa de cuidar da irmã dele, mesmo perante aquele sentimento de falha, uma vez que ela havia passado por coisas terríveis ainda há pouco. Acabou entupindo-se de vinho para evitar o choro preso na garganta perante o medo de ter perdido Jimin para sempre. Não conseguia parar de pensar nas palavras de seu pai sobre ele estar morto. Forçou a memória, mas nada vinha. Não tinha um flash que fosse, tudo apagara-se por completo. De todo jeito, chorou. Chorou sozinho em um canto da cozinha vazia àquela hora, com o rosto apertado contra a toalha de banho para abafar os ruídos.

Horas mais tarde, quando todos dormiam, desceu ao compartimento onde, cruelmente, haviam enfiado a irmã de Jimin em uma banheira suja. Claro, teve de implorar ao vigilante para que pudesse vê-la, mas acabou conseguindo. Tinha sabão e uma esponja de banho em mãos, mas não tinha a cabeça preparada para a cena que viria a seguir: Jinah estava muito fragilizada; lágrimas secas manchavam seu rosto, o corpo estava coberto de arranhões e tracejos de sangue e até mesmo parte de sua nadadeira tinha sido afetada por um corte. Seu rosto estava baixo, mas era possível ver que ela não chorava, mas lamentava baixo, presa naquela água completamente suja. Jungkook não poderia descrever o aperto em seu peito perante aquela cena. Era doloroso pensar que aquilo havia sido por sua culpa.

Culpa, aquele sentimento estava consumindo-o de uma forma devastadora e muito rapidamente para que pudesse tentar amenizar as dores que o tomavam de dentro para fora.

Jinah nada disse ao notar sua aproximação e Jungkook também não fez menção de falar nada, porque não sabia o que dizer. Mas a sereia fixou os olhos no rapaz, ódio brilhando nas íris caramelo. Jungkook não descartava a possibilidade dela estar esperando pela oportunidade certa para pular em seu pescoço e matá-lo, agora que estava tão próximo. Contudo, ao bater a porta atrás de si, não se direcionou a ela, mas aos baldes de água limpa que jaziam próximos, mas ainda assim fora do alcance dela. Eram de água salgada, claro. Qualquer coisa que não fosse para beber ou cozinhar, a água potável era poupada. Puxou um balde para perto da banheira e ali largou as coisas que tinha em mãos para poder se ajeitar sobre seus joelhos, ao lado da borda da peça de porcelana.

━━ O que você está fazendo? ━━ Jinah exigiu por entre os dentes incrivelmente afiados, que também estavam sujos de sangue. ━━ Veio ter a sua cota de diversão?

━━ Não. Vim cuidar de você. ━━ Jungkook respondeu com calma e também cuidado.

━━ Cuidar de mim? Faça-me o favor!

Ela estava claramente alterada, mas Jungkook não temeu. Apenas começou, com a ajuda de uma caneca, a jogar a água suja para um balde vazio.

━━ Isso é tudo culpa sua! ━━ A sereia acusou, no mesmo tom que os olhos carregavam.

━━ Eu sei.

━━ Cadê meu irmão?

━━ Isso eu não sei. ━━ Responder isso custou muito ao autocontrole de Jungkook, mas tentou manter a postura.

Apesar da raiva, Jinah deixou que ele continuasse e até mesmo movia o corpo para o lado, permitindo que a água fosse tirada. Precisava ser daquele jeito. Abrir o ralo faria água escorrer para o depósito no andar de baixo e ele odiaria comer batatas lavadas naquela água nojenta, que sabia estar assim por conta dos agressores da híbrida, que tinham pouco interesse na própria higiene.

Podendo finalmente utilizar a água limpa, Jungkook passou a lavar Jinah, esfregar a sujeira para fora do corpo esguio. Em algum ponto durante aquela atividade, imaginava ele que fosse quando começou a esfregar os longos cabelos dourados, ela começou a chorar. Baixinho, escondendo o rosto nas mãos. Jungkook sabia que ela pensava em Jimin, assim como ele.

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