9- A Visão

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A semana seguinte passou em um borrão para Harry. Ele se jogou em todas as suas atividades com uma intensidade febril: sua lição de casa, prática de quadribol, estudos — até que conseguia cair na cama todas as noites cheio de exaustão e dormir instantaneamente. Ele se recusou a permitir que sua mente ficasse ociosa; precisava se manter ocupado a cada momento de vigília. Chegou a ficar até feliz com suas detenções com Snape, pois elas o mantinham ocupado até muito tarde da noite.

Ele passou pouco tempo com Ron e Hermione depois de sua longa conversa com Ethan. Ethan o fez perceber que seus dois amigos realmente não o entendiam muito, e nunca o entenderam. Durante o tempo que passou com eles, Harry se via observando-os da perspectiva de um estranho; pareciam tão satisfeitos em deixar a vida passar sem se preocupar com o futuro ou com os perigos de hoje. Eles não pareciam sobrecarregados com problemas e, por mais cansada que a vida estivesse, Harry de repente se sentia anos mais velho e incapaz de se relacionar com eles.

Algumas tardes foram passadas com Ethan, apenas conversando sobre o quão alienado ele se sentia entre seus amigos e sobre outros assuntos do dia a dia. Harry não queria falar sobre Draco, e Ethan respeitou isso, evitando perguntas irritantemente simpáticas sobre seus sentimentos — o oposto do que Hermione continuava fazendo. Ela assumia o olhar de filhote ferido, inclinando a cabeça sempre que tentava fazê-lo discutir sobre Draco. Até Ron estava agindo de forma estranha: não fazia perguntas incômodas e parecia ter medo de que Harry chorasse a qualquer momento.

O plano de Harry de trabalhar demais para manter sua mente ocupada funcionou perfeitamente até sábado de manhã. Ele tinha acabado de cumprir sua última detenção na noite anterior, não tinha prática de quadribol naquele dia e, pior de tudo, não havia aulas para frequentar. O dia inteiro se estendia diante dele sem nada para mantê-lo ocupado. Seus pensamentos imediatamente se voltaram para Draco enquanto ele se deitava na cama, olhando para o teto. A pior parte era que aquele era o dia habitual deles para se encontrarem na Casa dos Gritos.

Harry apertou os olhos e tentou evitar que as memórias dolorosas inundassem sua mente. Colocou uma mão na boca para conter os soluços ameaçadores que ameaçavam escapar. Vislumbres rápidos de seu tempo passado com Draco surgiam cruelmente em sua cabeça: dormindo nos braços um do outro, rindo e brincando juntos, despreocupados, felizes... amados.

Ele jogou as cortinas de cama para trás e fugiu do quarto, poupando apenas tempo suficiente para pegar seus óculos e a capa de invisibilidade no caminho.

Harry passou pelo retrato e correu para longe da torre da Grifinória o mais rápido que pôde, lágrimas começando a cegar sua visão. As pinturas murais se transformaram em borrões de cor enquanto ele corria, determinado a chegar às portas de entrada o mais rápido possível. O salão estava desprovido de outros alunos ou professores enquanto ele empurrava as portas pesadas e saía. Só parou ao chegar à segurança de seu local favorito à beira do lago.

Ele se jogou na grama úmida e permitiu que os soluços reprimidos se libertassem. Pela primeira vez desde seu terrível encontro com Draco, ele se permitiu soltar a dor e a traição que sentiu quando Draco foi tão insensível com ele. Não havia nenhum indício de amor ou arrependimento naqueles olhos de aço, apenas uma frieza legal que não deixava vestígios de reconhecimento.

Harry apertou os punhos ao redor dos talos de grama cobertos de orvalho, deixando suas unhas cavarem nas palmas das mãos. Queria bloquear Draco Malfoy de sua mente completamente — para sempre, mesmo que isso significasse substituir a dor por mais dor.

Ele abriu os olhos e olhou para suas mãos; pequenos travessões meio crescentes pontilhavam suas palmas avermelhadas. Encontrou satisfação naquele testemunho de dor física. Aquilo era real. Aquilo ele podia controlar.

Walk Away | drarryHistórias para pegar e não largar. Descubra agora