Capítulo 31 - Provações

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Pov Toni

Fechei meus olhos. Foi a única coisa que consegui fazer ao ouvir aquele barulho. Eu sabia exatamente do que se tratava.

Um tiro.

Como eu tinha medo de abrir aqueles olhos. De saber o que tinha acontecido. Mas eu precisava, certo?

Então eu abri bem devagar. As coisas pareciam rodar em câmera lente e desfocadas. Talvez eu ainda estivesse um pouco tonta. Os policiais estavam relutando com Keana, ela havia se soltado. Um dos homens chutou a arma que caiu da sua mão para longe. Olhei para minha mãe a minha frente, ajoelhada. Me soltei de Cheryl e fui até ela.

- Mama! Meu Deus, você está bem? - Peguei em seu corpo a fazendo olhar para mim. Ela parecia em choque, mas estava intacta. - O que foi? Me diz?

Ela me olhava estagnada. Ergueu um dos braços lentamente e apontou para mim. Só então fui perceber que minha blusa estava manchada de sangue. Mas como? Eu não sentia nada? Se esse sangue não era meu, e também não era de minha mãe, então...

Me virei para Cheryl. Seus olhos me mostravam dor. Sua boca entreaberta me mostrava dor. Sua mão direita apertando a barriga toda ensanguentada.

- Cheryl, Não!

Me aproximei antes que ela caísse ao chão.

- Não! O que foi que ela fez com você? Não! - Senti as lágrimas escorrerem por meu rosto. Senti seu corpo fraquejar nos meus braços.

- Un médico! Alguien! Una ayuda! Por favor! Ella no puede... NO!!

Tanto desespero que já nem conseguia mais falar em inglês.

- Teetee... - ouvi ela dizer. Uma mão na barriga, outra em meu ombro, seu corpo do chão.

- Não, não fala nada! - Coloquei minhas mãos em sua ferida para ajudar a fazer pressão - Vai ficar tudo bem, você vai ficar bem! Vai ficar tudo bem com você! Você não pode me deixar!

- Teetee...

Eu já tinha dificuldade de enxergar com tanta lágrima em meu olho. Minhas mãos repletas pelo sangue dela. Pude perceber algumas lágrimas caírem de seu olho também.

- Não ouse tentar fazer o que quer fazer! Você não vai se despedir! Eu te proíbo de se despedir Blossom! Vai ficar tudo bem.

Paramédicos então entraram no local. O tribunal tinha uma equipe médica especializada. Dei espaço para que eles pudessem fazer o trabalho. Pressionaram a ferida para tentar estancar o sangramento e se encarregaram de imobilizar Cheryl. Colocaram colar e a posicionaram na prancha a erguendo logo em seguida. Me aproximei novamente. Betty, Veronica e Ally se aproximaram de mim.

- Tee!

- Meninas, eu... eu...

Só conseguia negar com a cabeça desesperadamente.

- Vai com eles na ambulância, estamos logo atrás de vocês. - Vee disse me empurrando levemente contra ela.

Eu as olhei de relance enquanto deixava o tribunal. Segui os paramédicos até a ambulância e entrei nela com eles.

Um dos homens checou os pulsos de Cheryl.

- Está um pouco fraco.

Uma mulher se aproximou de seu rosto e começou a conversar com ela.

- Pode mexer as mãos e os pés por favor? - Ela pediu - sutilmente, sem movimentos bruscos.

Cheryl fechou os punhos e mexeu os pés suavemente.

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