Bom nem tudo é oque parece
Nem todo são oque parecem
Uma história cheia de traição briga e principalmente dinheiro
Nem sempre pessoas que se amam ficam juntas
Emma Kardashianlança 'Folklore', com indie folk melancólico e letras muito bem escritas;
Oitavo álbum da cantora foi composto na quarentena, com parceiros ligados ao rock alternativo (The National e Bon Iver). Força do disco está nas narrativas que misturam vida pessoal e ficção.
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primeiro "álbum surpresa" da cantora americana de 21 anos dá novo rumo à carreira. É menos comercial. Apoia-se mais nas narrativas que ela canta, do que nas que ela vive.
O oitavo álbum de Emma nos faz lembrar o porquê de o jornal inglês "The Guardian" tê-la comparado a Bruce Springsteen. O gosto por boas narrativas aparece revigorado em "Folklore".
Musicalmente, tirando os ótimos vocais, dava para forçar um pouco e dizer que passaria como um álbum do Death Cab for Cutie, do Wilco ou do The National. Aaron Dessner, músico dessa banda de indie rock arrastado com vocal grave, coassina com Emma 11 das 16 novas músicas. Parceiro da cantora desde 2014, Jack Antonoff (Lorde, Lana Del Rey) é o coprodutor geral.
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A força está nas letras
Mas a força e a coesão de "Folklore" não estão no som, estão nas letras. Emma parece disposta a falar mais de outras pessoas, como quando conta histórias de adolescentes em um triângulo amoroso, tema que permeia o álbum.
Em vez de dar indiretas, ela reflete sobre o clichê machista de se chamar uma mulher de louca, na perspicaz "Mad woman".
Mas nada é tão compartimentado. "As linhas entre fantasia e realidade se confundem e as fronteiras entre verdade e ficção tornam-se quase indiscerníveis", comentou ela, em texto que acompanha o álbum. "My tears ricochet" é um pop fantasmagórico sobre insonia, depressão, lágrimas que ricocheteiam. Difícil dizer se a personagem é a cantora, tendo os tão comuns pesadelos de quarentena.
"Cardigan", primeira a ganhar clipe, é sobre um amor adolescente cantado com desesperança. "Quando você é novo, eles presumem que você não sabe de nada", canta. Em faixa com pegada bem Lana Del Rey, ela relembra beijos em carros, em bares no centro, dançando na rua. Agora, porém, diz se sentir como "um cardigã velho jogado embaixo da cama de alguém". Ainda mais melancólica, em "Seven", ela fala de uma criança que "viveu o auge aos sete anos". A tal criança tinha tempo para contemplar o céu de Pensilvânia, estado em que ela nasceu.