Sonhos

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Queria ter te conhecido em outros carnavais, com menos gente barulhenta e mais silêncios acolhedores. Imagine nós, nos anos 60: meu vestido de bolinhas pretas não veria a hora de se exibir para você, que estaria igualmente bem arrumado, - O que os caras vestiam nos anos 60? - com sapatos reluzentes. Me esperaria em seu carro de época, no meio da noite e eu sairia pela janela, escondida dos meus pais, com meu maior sorriso estampado no rosto, iríamos até uma lanchonete. No caminho, conversaríamos sobre coisas banais e você se mostraria interessado sobre os últimos romances que eu li; faria perguntas inteligentes e observações perspicazes sobre minhas resenhas improvisadas. A gente acabaria discordando sobre algum ponto que eu não sei ao certo, mas que aconteceria pois eu sou teimosa e você é provocador.
Pediria milkshake de morango enquanto você preferiria o de baunilha e viraríamos a noite conversando mais aleatoriedades que na verdade seriam um pretexto para desfrutarmos da companhia um do outro. Muitos sorrisos, risadas e suspiros!
Nossos bocejos interromperiam o assunto e na volta para casa, a música preencheria todo o espaço entre nós de um jeito muito confortável. Na despedida, um beijo roubado ou até dois fariam eu me agarrar ao seu pescoço e desejar que o mundo acabasse naquele momento.
O problema é que a década de 60 já passou e nós nascemos quase em 2000...
Gosto de fantasiar nossos encontros que nunca acontecerão porque ainda não posso me abrir e talvez quando puder, as suas fantasias estarão acontecendo com outra pessoa em uma época diferente. Por isso, não se prenda à mim, há pessoas maravilhosas lá fora sem pendências emocionais a serem resolvidas. Gosto de pensar que poderia ter te amado, mas você chegou atrasado e por pouco não conseguia pegar uma carona nesse trem doido da minha personalidade.

Gosto de você porém, adeus.

Primavera de 1998Onde histórias criam vida. Descubra agora