Às vezes eu tenho uns gatilhos
Quando lembro de nós dois no escuro
No claro também
Das noites do vinho
Do sorvete também
Quando escuto Nx sem querer.
Me lembro das cartas de amor
De como me sentia quando as escrevia
E acompanhava ao vivo suas reações quando lia
Você também escrevia cartas
Ou tentava
"Eu amo você", escrito em um guardanapo
Junto com minha marmita
Era tão real.
Já dividimos um caderno
De pensamentos e desabafos
Mais íntimo do que uma relação sexual.
Sei de quase todas as suas dores
E você sabe quase todas as minhas
Mas eu nunca fui sua cura
Muito menos seu analgésico
Nem você a minha.
Ainda dói lembrar de algumas coisas
Principalmente os momentos finais
A gente era melhor que isso.
Infelizmente nossos caminhos se perderam
Bem antes que pudéssemos suspeitar
Mas talvez a gente tenha suspeitado
E decido inconscientemente não se reencontrar.
Parte de mim ainda escreve poemas sobre você
E a outra parte não lembra da sua existência
Nunca sei qual delas tem mais força
E nem quero
É demais pra mim ter que me forçar novamente
A escolher um lado.
A tendência é sempre pender para você
Só que
Talvez
Não mais.
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Primavera de 1998
PoesiaEm novembro de 1998 Era primavera E Assim como as flores Eu (nasci) FLORESCI.
