A calçada estava molhada, e o céu, de um cinza opaco, pesava sobre a cidade como se estivesse prestes a desabar mais uma vez. Waverly segurava o guarda-chuva com uma das mãos e os livros contra o peito com a outra. Caminhava devagar, com o corpo encolhido, tentando evitar os olhares dos alunos que entravam pelo portão da escola. Seu passo era curto, quase arrastado. O uniforme grudava nas pernas, e o capuz do moletom escondia parte do rosto.
Ela parou por um instante na entrada do prédio. Respirou fundo, sem levantar a cabeça. O som dos próprios batimentos parecia mais alto que a movimentação ao redor. Seus dedos apertavam os livros com força, como se segurá-los fosse a única coisa que ainda conseguia fazer direito.
Um vento forte atravessou o corredor entre os prédios. O guarda-chuva virou, e Waverly, num reflexo apressado, tentou consertá-lo. A estrutura de metal se dobrou. A lona cedeu. A água caiu direto sobre sua cabeça, ensopando o capuz e escorrendo pela nuca. Os livros escorregaram dos braços e bateram no chão com um estalo abafado. Ela se abaixou imediatamente, as mãos tremendo. Tentou pegá-los, mas estavam pesados, molhados, e parte das folhas já começava a manchar.
— Ei! Calma, eu te ajudo — disse uma voz próxima.
Waverly ergueu os olhos devagar. Uma garota de cabelos ruivos e rosto atento se abaixava à sua frente. Ela recolheu dois cadernos com cuidado, sacudiu um pouco a água e olhou para Waverly com uma expressão leve, sem pressa.
— Não foi o melhor dia pra confiar em guarda-chuva barato, né?
A garota sorriu. Não era um sorriso forçado. Era só... fácil. Natural.
Waverly hesitou. Os olhos dela ainda evitavam encarar diretamente. Apenas assentiu, quase imperceptivelmente, e pegou os cadernos estendidos.
— Nicole — respondeu a garota, sem ser perguntada. Ela se levantou e ofereceu a mão para Waverly. Não insistiu no aperto, apenas deixou ali, no meio do caminho, como quem oferece e espera.
Waverly demorou alguns segundos antes de reagir. Depois, levantou-se também, segurando os livros contra o peito com um dos braços. A outra mão, hesitante, foi até a de Nicole. Os dedos estavam frios.
— Obrigada.
— Sem crise. Você é nova? — Nicole perguntou, ajeitando o próprio cabelo atrás da orelha. Havia algo no jeito dela — uma curiosidade sutil, mas presente. Não parecia exatamente empolgada, nem indiferente. Observadora. E calma.
Waverly olhou ao redor antes de responder. Sua voz saiu baixa, como se estivesse testando o som das palavras pela primeira vez.
— M-mudei faz pouco tempo...
Nicole notou a hesitação, mas não comentou. O modo como Waverly falava — com pausas, quase se desculpando por estar ali — chamou sua atenção. Havia algo de frágil naquela postura. Nos olhos baixos, nas mãos que não paravam de ajeitar os livros contra o corpo.
— Eu tô no terceiro ano. Se precisar de alguma coisa, posso te mostrar onde é a sala, o refeitório... ou esconderijo mais próximo, caso precise fugir de gente chata — disse Nicole, num tom leve, quase como se estivesse falando sozinha.
Waverly esboçou um sorriso discreto, que logo sumiu. Apenas um canto da boca se moveu, rápido.
Nicole observou. Era difícil saber o que pensar daquela garota nova. Mas havia algo ali. Ela reconhecia esse tipo de presença — retraída, como se sempre esperasse o pior.
— Quer saber? Você podia me pagar um café mais tarde, hein? Acho justo, depois desse resgate dramático embaixo de chuva.
A frase foi dita num tom leve, com uma expressão neutra.
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Eu Disse Não - Wayhaught (Em Revisão)
FanfictionWaverly sempre foi calada, discreta, do tipo que prefere os cantos. Quando Champ apareceu, com atenção e palavras gentis, ela acreditou que estava vivendo algo bonito. Mas aos poucos, tudo foi mudando - e Waverly também. O que parecia afeto se torno...
