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NICOLE
Dias Atuais

 
Eu pisquei e três anos se passaram.

Três anos desde o ensino médio.

Três anos desde a sua partida.

Três anos desde o juntos até lá, e depois disso que nunca se realizou.

Nunca pensei em como as coisas poderiam mudar tão rapidamente. Em como um plano de anos poderia desmoronar em meses, semanas. Nunca me permiti pensar que estaria na universidade sem Adam ao meu lado. Uma das pessoas com quem eu mais me importava. Sei que se esse mísero pensamento passasse pela minha cabeça aos 17 anos eu iria rir e pensar em seguida que era impossível. Porque eu acreditei que fosse. Eu acreditei que estaríamos juntos para o que desse e viesse, mas não foi bem assim. Quando ele me voltou as costas, foi como uma facada. Tão dolorosa e profunda que ainda dói hoje em dia. E sei que o que me magoou não foi a facada em si, mas sim a pessoa que a deu.

Estou agora no meu quarto, olhando para a nossa estúpida foto. Aquela que foi tirada na praia, na última semana de férias do último ano, onde eu tenho os braços ao redor do seu pescoço e estou beijando a sua bochecha. Ele tem os olhos fechados e um sorriso bobo no rosto. Foi a única foto que não fui capaz de deixar no fundo da caixa. Eu digo que era porque todos nos divertimos naquela noite, não só eu e Adam.

Mas não.

Eu não fui capaz de me desfazer da foto porque alguma coisa naquela noite acendeu em mim e, por mais que Adam esteja feliz agora, aquela foi a minha altura de felicidade. Foi a altura em que os meus olhos viram mais do que a amizade. E não é preciso dizer que os dias depois dele sair da minha vida foram os piores. Eu fui completamente ao fundo do poço e precisei me curar sozinha. Precisei entender que nada do que pudesse fazer iria trazer Adam de volta porque ele já tinha decidido o rumo da sua vida. Desde o dia da sua partida eu tive trabalho árduo para me recompor, sem ele. E desde o dia da sua partida que não troco uma palavra com ele.

Há três malditos anos.

É como se nunca nos tivéssemos conhecido, e isso magoa.

Eu não o odeio por escolher a sua felicidade. Não, nunca faria uma coisa dessas. Eu culpo-o por ter pisoteado o meu maldito coração naquele maldito aeroporto. Eu o odeio por ter feito isso comigo. Connosco.

Saio dos meus desvaneios graças aos gritos vindos do piso de baixo.

Oh sim. Ao menos uma parte do plano foi concretizada. Todos moramos na mesma casa e todos estudamos na mesma universidade. Todos menos Adam.

— Você é insuportável, irresponsável e um insensível de primeira. Queria ficar com alguém podia ficar mas não tinha a necessidade de trazer a garota para a nossa casa — a voz de Evelyn entra no meu quarto, mesmo com a porta fechada.

— E você é uma escandalosa. Nunca viu alguém transar? Oh, espere essa eu respondo. Tal como você já viu, você também já fodeu, e adivinhe? Já fodeu comigo — Aaron responde.

— Deixe de ser porco e leve suas peguetes para outro sítio. Isto não é nenhum motel.

— Deixe de ser ciumenta e se meta nos seus assuntos.

— Ciumenta? Por favor — ela divaga.

— Talvez seja apenas sobre isso que se trata. Ciúmes.

— Nos seus sonhos, Aaron. Nos seus malditos sonhos.

— Vai dizer que nunca sentiu ciúmes meus é? — Aaron pergunta.

— Sim, eu senti. Anos atrás, quando confiava em você.

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⏰ Última atualização: Jul 08, 2022 ⏰

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