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Capítulo um - Alex Benedetti

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Jasmim

    O dia hoje está agradável.
    E não incomoda o fato de ser o aniversário de casamento do meu ex, que quebrou o meu coração nesse mesmo dia. Sei disso muito bem porque há um ano ele ainda morava comigo e até disse que me amava antes de fugir para casar com outra mulher. Eu tive coragem de perguntar porquê ele fez aquilo, e ele respondeu que os seus pais nunca me aceitariam. Se doeu? Fiquei semanas deprimida, afogada em lágrimas, sem comer, foi um golpe muito doloroso.
     Se o odeio?
     Com todas as fibras do meu ser.
     Depois de consultas com um terapeuta, percebi que o problema não é comigo. Tenho lido livros, tenho aprendido a entender o amor e os homens. Já tentei ficar com alguns, mas nunca cheguei a namorar com ninguém depois do Todd. Estou há um ano solteira, antes eu poderia achar que era o fim do mundo, mas dane-se. Antes solteira do que mal acompanhada. Ser solteira tem as suas vantagens, é bem melhor do que gastar sentimentos para alguém que não merece. Há que se ter amor próprio.
     Agora eu consigo controlar os meus sentimentos — eu acho — e estou bem sozinha. Quando chegar o homem certo, vai me encontrar, por enquanto prefiro assim. Relacionamentos são uma dor de cabeça e não quero dar o meu coração para ser esmagado mais uma vez. Já sofri o suficiente. E mesmo que eu ame os homens, também os odeio no fundo do meu coração.
     É errado, mas gosto quando eles se ferram.
     Entretanto, também tenho explorado outras partes de mim. Sou maquilhadora profissional, não odeio o meu trabalho, mas gostaria de mais. O que eu mais sonho é criar uma linha de cosméticos como algumas celebridades fazem, ser uma empresária de sucesso, mas tenho que estudar essa área com bastante afinco e atingir os meus objetivos. Conhecer as pessoas certas também é um grande passo.
     Bebo o meu chá tranquilamente na poltrona e leio um livro, para aproveitar o meu dia de folga. Paris, minha melhor amiga, entra no apartamento como um furacão, o que é, na verdade, algo que acontece todos os dias. Tudo por causa de uma pessoa:
      — Odeio Alex Benedetti, odeio, odeio, odeio. — Paris joga o casaco e várias sacolas no sofá e olha para mim com fúria.
      É sempre ele.
      Não conheço Alex Benedetti, mas sei que já mandou Paris subir cinco andares de escadas e de saltos altos por puro gozo, já a acordou de madrugada para que chegasse cedo ao trabalho e ainda fala mal das roupas e do cabelo dela. Resumindo, ele é mau.
      — O que ele fez dessa vez? — noto que o seu cabelo e suas roupas estão molhados.
      — Bem, ele passou numa poça de água com o seu maldito carro na minha frente. Foi de propósito.
      Ele é muito mau.
     — Talvez tenha sido sem querer.
     — Ele dirigiu o carro! Dispensou o motorista para ir para a casa da namorada, não sei. Essa porra não me importa. O que importa é que vou fazer um boneco de vudú e ele vai sofrer.
     — Bem, eu sinto muito. Melhor tomar um banho o quanto antes, por causas das bactérias da água suja. — viro a página do meu livro.
     — Um dia, eu vou pensar num plano diabólico para me vingar dele.
     — Porquê você não pede demissão? Ninguém merece ser tão humilhada. Ficar calado não impede que as pessoas deixem de o fazer. — Meus olhos estão nela agora.
     — Eu não quero. Eu quero que ele me respeite e estou a espera do dia em que ele vai se foder. Quero estar lá para rir daquela carinha bonita.
      — Então, ele é lindo?
      — Do que adianta se ele não tem coração?
      — Bem visto! — fecho o livro. — Mas se quer respeito, não vai deixar ele continuar com isso.
      — É complicado. Mas chega de notícias ruins. Eu tenho uma novidade. — Ela procura alguma coisa na bolsa. — Hoje, uma mulher toda fina foi visitar aquele macho podre e ela deixou cair isso. — Mostra dois papéis dourados. Parecem convites.
      — O que é isso?
      — Amiga, linda, querida e doce. Isso é o passaporte para o mundo do senhor Benedetti.
      — Traduza!
      — Bilhetes de entrada para uma festa de máscara super chique no hotel do senhor Benedetti. — Pula como uma adolescente.
      — Acho que devia devolver.
      — Está louca? A festa é hoje a noite, daqui a pouco, porquê acha que o Alex idiota me dispensou cedo?
      — E presumo que você quer que eu vá também.
      — Desde a adolescência que fazemos coisas malucas juntas. Não quebre a tradição, amiga. Eu vou implorar até você dizer que sim.
    Rio e pouso a chávena na mesinha de centro, depois de mais um gole. — Acho que vai ser divertido. Mas não temos máscaras.
     — Ah, doce, inocente e querida, Jasmim. — Ela entrega uma sacola para mim. — Eu tratei de tudo. Sempre trato.
     Vejo as máscaras dentro das sacolas. Uma prateada com os cantos superiores pontiagudos e uma preta com as bordas arredondadas e pequenas imitações de diamantes negros, ambas com fitas. As máscaras são bonitas e sei também que quando Paris coloca uma coisa na cabeça, ninguém pode fazê-la mudar de ideias.
     — Também tem os vestidos. E a peruca loira para mim. Ninguém te conhece, então não precisa de uma. — vasculha as sacolas.
     — Uau!
     — Eu sei, eu sou fantástica.
     — E antes de gastar dinheiro, não te ocorreu que eu não poderia ir?
     Ela sorri. — Jas, meu amor, você é a minha amiga das batalhas mais dolorosas e agressivas. Eu tinha a certeza que iria comigo.
     Com tudo isso, cheguei a conclusão que a pancada que Paris teve quando tinha doze anos, afetou o seu cérebro de certa forma. Porém, será um desperdício de sorte se não formos a essa festa.
      — Está bem. Mas não vamos nos aproximar do seu chefe horrível.
      — Claro que não. Pelo menos não muito. — surge seu sorriso sombrio.
      — Não, não vamos.
      — Melhor começarmos a nos vestir. Eu vou tomar um banho primeiro, como pode ver, fui ridicularizada pelo meu chefe.
      — E eu vou fazer o meu cabelo.
      Paris leva as suas coisas para o quarto, e eu termino o meu chá para poder estar bonita e chamar a atenção de todos. É verdade, eu gosto de dar nas vistas. E eles não perdem por esperar quando eu for uma mulher poderosa e bilionária que todos serão obrigados a respeitar.
 
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