CAPÍTULO 11- Arthur Lee

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••• No dia da Agressão •••

No intervalo fui para sala dos professores.
Na sala estava a senhora Rodríguez de literatura, o senhor Ribeiro de filosofia, a senhora Natakiri de matemática e o senhor Monteiro de educação física.
Começamos a conversar sobre nossos alunos entre outros assuntos acadêmicos.
Entre uma conversa e outra a senhora Rodríguez fez um questionamento.

— Todos aqui dão aula para a turma 3001?

— Eu dou duas vezes na semana. – respondi.

Os demais professores que estavam ali na sala também confirmaram que davam aula para turma 3001.

— Ótimo. Nesse caso vocês poderão ajudar-me. – Srª: Rodríguez.

— Mas porque? Está com algum problema com algum dos alunos? – questionou o Sr: Ribeiro.

— Já até imagino o que seja. – disse a Srª: Natakiri dando um suspiro ao final.

— Tem algo haver com o aluno novo? – questionei.

Por alguns instantes fiquei um pouco apreensivo. Afinal, eles sabem da minha orientação sexual.
Trabalho aqui nessa escola há quase quatro anos. Desde que me formei para ser exato. Nunca dei margem para que levantassem nenhum tipo de comentário.
Mas... esse garoto está mexendo demais comigo. De uma forma que fica difícil controlar a tenção que fica entre nós dois. E essa tenção é muito grande e perceptível.
Mia já me alertou sobre isso, essa minha falta de controle quando estou perto dele.

Não deixei que os professores percebessem essa minha apreensão.

— Sim. – confirmou Srª: Rodrigues – O nosso aluno David, parece que encontrou outro alvo. Ele seus amigos estão sempre tentando arrumar confusão com o Matheus – concluiu.

— Espero que não termine de forma trágica, como da última vez. – Srª: Natakiri disse com pesar.

— Quem me preocupa mais é a  Mia. Ela fez amizade com ele desde o primeiro dia. E desde a  morte do João Paulo, é a primeira vez que a vejo feliz e sorrindo de verdade. – comentei.

— Se eu não soubesse que você não gosta da fruta, ficaria desconfiado dessa amizade entre vocês dois. – diz rindo o Sr: Monteiro.

O professor Monteiro sempre joga suas piadinhas de duplo sentido. E como ele além de ser professor de educação física, é também o treinador do time de vôlei da escola. Ele com certeza vai defender e passar pano nas atrocidades dos alunos do time dele.

— Pare com as suas implicâncias, Monteiro. – disse que o Sr: Ribeiro.

— Verdade. Esse não é o momento para piadas. Isso se esse seu preconceito mascarado de falta de senso, merecer algum tempo. – Srª: Rodríguez.

— Não sou preconceituoso. Foi só um comentário. Nada demais. – ele retrucou.

— Está tudo bem. Não me importo com as piadas do Sr: Monteiro, desde que isso não fira diretamente a minha honra e a minha ética profissional, não teremos problemas. – digo o encarando e sério.

— Ei! Ei! Ei! Me desculpa, tá legal?! – disse ele.

Eu sei que aquele pedido de desculpa era falso. Esse cara é inacreditável.

— Vamos retornar ao x da questão aqui. – diz a Srª: Rodrigues – Estou pensando em falar com o diretor sobre o assunto. Só queria saber se vocês também haviam notado essa implicância gratuita – concluiu.

Todos ali concordaram. Ela levantou-se e organizou suas coisas. Antes de sair da sala, ela virou em minha direção e disse:

— Estou indo agora falar com o diretor. Você fica perto da Mia e do Mateus. Principalmente da Mia. Você sabe porquê, não é?

— Pode deixar.

Ela sai da sala, e em seguida os outros professores também saem. Me deito no sofá da sala, ainda  faltava alguns minutos até a minha próxima aula.
Fiquei ali pensando em tudo que estava acontecendo.

"Se algo acontecer com Mateus?" "Se ela perder esse garoto."
"Não sei se ela vai suportar mais uma perda."

Após alguns minutos, me levanto, pego minha mochila e vou para sala de aula.
No corredor, vejo Mia correndo em minha direção com uma expressão de preocupação.

— Lee! Lee! Lee! Me ajuda! – ela diz ofegante.

— O que houve?

— Me ajuda a procurar o Matheus.

— Ok. Mas o que houve?

— Ele saiu para ir ao banheiro, e logo em seguida o David saiu da sala. Acho que aconteceu alguma coisa, porque Matheus ainda não voltou.

— Se acalma. Você pode estar se preocupando atoa...

— Eu sei...eu sinto que aconteceu alguma coisa. – ela me interrompe.

— Então vamos no banheiro primeiro.

Mal termino de falar e ela sai correndo em direção ao banheiro.

— Mia, respira. – ela para e olha para trás – Não corre assim. – digo caminhando rápido em direção a ela – Eu sei que você está preocupada, mas não devemos chamar a atenção.

Ela acenou positivamente com a cabeça e fomos juntos. Quando estávamos aproximadamente a uns três metros da entrada, ela correu.

— Lee! – ela gritou.

Ao entrar vi Mia com as mãos cheias de sangue, ajoelhada ao lado do Matheus no chão.
Havia tanto sangue, que mal dava para ver o rosto dele. Apesar do susto e preocupação, eu precisava manter o controle.  Levanto Mia pelos ombros e peço para que ela vá falar com diretor e informe a ele o que havia acontecido, e me encontrasse no carro. Ela saiu, pego Matheus no colo e o levo para o meu carro. Não demorou muito e minha já estava próximo a mim.

Entra. – digo a ela – Segura e a cabeça dele.

Coloquei ele no banco de trás com ela e seguir para o hospital.

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