Bárbara correu. O mais rápido que podia. Ignorou alguns sinais de trânsito, ouviu alguns insultos de motoristas que precisaram frear para não a atropelar e chegou quase sem fôlego a casa.
A porta da frente estava entreaberta. Seu coração disparou.
— Mônica! — chamou ela. Barbara atravessou o portão e se aproximou da entrada — MÔNICA! — gritou.
Bárbara empurrou de leve a porta.
— Que gritaria é essa? — perguntou Mônica, vindo lá de dentro.
— Falei pra não ficar sozinha na casa — repreendeu Bárbara.
— O que você tem? Parece que viu fantasma.
— Vamos conversar. Vou te contar o que a Mirtes me contou, mas em outro lugar — pediu ela.
— Tudo bem, se acalma. Deixa só colocar o lixo para fora de uma vez. Falta pegar o lixo do banheiro.
— Okay. — Bárbara sentou no primeiro degrau de frente para a porta.
Uma rajada de vento frio bagunçou seus cabelos.
— Não Mônica! Espera! — Bárbara se levantou e correu em direção à porta.
Ela ouviu a risada de uma criança e a porta da frente bateu antes que ela conseguisse chegar até ela.
— MÔNICA! — gritava ela enquanto girava em vão a maçaneta. — Mônica! — Bárbara começou a esmurrar e a chutar a porta.
Ela ouviu o grito da amiga e ouviu a criança rindo novamente.
— Não! — Bárbara começou a chorar. — Fica longe dela! — Ela continuou esmurrando a porta e foi escorregando até cair sentada aos pés da porta. — Mônica... — sussurrou ela.
Os gritos dela chamaram a atenção de pessoas que passavam pela rua e alguns homens tentaram ajudar. Eles afastaram Bárbara da porta e a arrombaram. Lá dentro, ela viu a menina de vestido vermelho. Ela segurava uma boneca de pano. Caída ao seu lado. Mônica não se mexia.
Os homens passaram por Bárbara e entraram na casa. Eles tentavam reanimar Mônica, mas nada surtia efeito. Eles ignoravam a criança por completo.
A menina realmente não parecia ter a intenção de abandonar a casa.
E Bárbara também não tinha a intenção de voltar a morar ali.
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Aqui, para sempre.
Short Story"- Então não se esqueça. Nunca fique sozinha nessa casa - pediu Mirtes. - Nem você, nem sua amiga." Uma regra bem simples, mas qual será a consequência se não for cumprida? Esse conto foi originalmente publicado no meu blog pessoal "Universo Invisív...