Bereshit - pt 2

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"NO PRINCÍPIO criou Deus os céus e a terra. A terra era SEM FORMA E VAZIA; e havia TREVAS sobre a face do abismo, MAS o Espírito de Deus PAIRAVA sobre a face das águas" (Gênesis 1:1-2)

Ao notar o enfoque de João no caráter espiritual de Cristo em seu evangelho, principalmente em sua introdução ao estabelecer uma correspondência com Gênesis 1 por meio da expressão "Bereshit" (no princípio), me despertou também bastantes dúvidas acerca da criação, senti que a criação não era tão simples e monótona como eu antes imaginava, certamente poderia extrair grandes ensinamentos, que, por diversas vezes nos passa desapercebidos aos olhos. 

>> NO PRINCÍPIO: Na bíblia não vemos em nenhum autor preocupado em provar a existência de Deus, eles simplesmente afirmam. Deus é de eternidade a eternidade (Salmo 41:13), ou seja, sempre existiu, e nunca deixará de existir. De acordo com a Lei da Conservação das Massas de Lavoisier, o 'pai da química', "Na natureza nada se cria, nada se perde, tudo se transforma". Diante disso, surgem os primeiros questionamentos: se nada pode ser criado, mas sim transformado, deve haver um ponto de partida, sem início ou fim, uma matéria primordial, imutável e infinda, a qual a própria ciência jamais conseguiu definir, o que é e de onde vem tal 'princípio ativo'? Se nada se perde, e a conservação das matérias é um ciclo fechado, todas as coisas geradas a partir desse princípio vital retornam a ele? "Porque DELE (ser possuidor; nossa essência é dEle, portanto somos sua propriedade privada e exclusiva), e POR ELE (meio, agente de criação, Deus é a fonte), e PARA ELE (destino final, por isso sentimos saudades de um lar no qual nunca estivemos, pois nosso espírito vem de lá e anseia ardentemente retornar à origem: Deus. Ele pôs em nossos corações o desejo pela eternidade - Eclesiastes 3:11), são todas as coisas [...]"(Romanos 11:36).

>> A TERRA ERA SEM FORMA E VAZIA: esse trecho me faz lembrar os gases e líquidos: são fluidos, não possuem forma definida e, portanto, tomam para si a forma do recipiente no qual estão contidos. Assim também somos nós, viemos ao mundo vazios, sem forma, e o meio que nos insere é que define nosso caráter. De acordo com o conceito de habitus de Pierre Bourdieu, todo meio social exerce poder e domínio (seja família, escola, religião e tantos outros) capazes de moldar um conjunto de costumes, valores e comportamentos dos indivíduos, o que chamamos de cultura. É inevitável viver sem a influência do meio sobre nós pois, como Aristóteles afirmava, o homem é um ser social, ou, como disse o poeta John Donne, "Nenhum homem é uma ilha, completo em si próprio [...]", precisamos fazer parte de uma sociedade para viver, enquanto esta sociedade nos molda. Portanto, precisamos ter muito cuidado com os lugares que frequentamos, zelar na escolha de amigos, de preferência, que nos aproximem de Deus, e cuidar para não nos colocarmos em julgo desigual com ímpios (2 Coríntios 6:14-15/Amós 3:3). Somos naturalmente sem forma e vazios, devemos, pois, nos moldar na palavra de Deus, renovando o nosso entendimento (Romanos 12:2), e nos encher do Espírito Santo (Efésios 5:18).

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