Prólogo

10.8K 845 93
                                        

Votem e comentem ♥️
Prontos para sofrerem?
♥️Boa leitura ♥️
***************************************************************************
Pete
Um ano antes

- Amor, cheguei. Consegui sair mais cedo para a gente ir jantar naquele restaurante novo...

Aviso animado enquanto entro no meu quarto, mas os meus olhos não acreditam no que vejo à minha frente. Meu marido, que tanto amo, está deitado com o Paul, que era a nossa barriga de aluguel, na nossa cama, e os dois estavam nus. Quando eles me olham, já estou saindo de lá. Paro na sala e sinto como se o meu corpo estivesse sendo partido ao meio, enquanto tento não desmaiar ali. Não consigo me mover. As vozes de ambos tentando explicar o que estava acontecendo pareciam falar em outra língua. E o que eles me diriam? Que a química entre eles simplesmente aconteceu e que não houve como resistir? Eles eram um ômega e um alfa que não podiam lutar contra a atração física entre ambos, sentimento que nunca entenderia por ser um simples beta?

Podia rir disso, mas, olhando a barriga redondinha de Paul, que carregava o meu filho, sentia as minhas pernas falharem e o medo de que aconteceria algo. O bebê que ele carregava também era meu? Sim, ele era meu. Todo o meu dinheiro estava ali e também todos os meus sonhos de ser pai e de ter a minha família, já que não conseguia gerar um bebê.

Olho para o meu marido perfeito, mas que, na verdade, era um escroto. Queria vomitar ali, sentindo nojo de tudo aquilo, e digo:

- Paul, é a porra da nossa barriga de aluguel. Como pode fazer isso? Que merda você tinha na cabeça? E o que vai acontecer quando o meu bebê nascer?

- O bebê que o Paul espera não é seu, mas meu e dele. - Confessa baixo, como se tivesse medo da minha reação, e esbravejo.

- Foder com ele, tudo bem, mas achar que vai levar o meu bebê embora, você não vai, Sam. Paguei por ele, comprei as coisinhas dele e sonhei com ele, porra!

Ele não iria levar o meu filho de mim, não sem lutar. E Paul diz palavras que me fazem segurar na parede para não cair.

- Já estava grávido do Sam antes da inseminação e a doutora me inseminou com soro, porque pedi. Me perdoe, Pete! - Ele olha para mim como se fosse digno de pena. Demoro alguns segundos para entender aonde ele quer chegar. Todo mundo sabia que eu estava sendo feito de corno, enquanto dobrava turnos para conseguir fazer o enxoval do meu bebê e montar o quarto do jeito que sonhava desde que me casei, mas o bebê nem era meu. Viro-me de costas, colocando as mãos no rosto. Sinto a dor me atravessar de um jeito que não imaginava.

Sento-me na poltrona, sentindo que iria cair, e coloco as minhas mãos no rosto, sentindo as lágrimas caindo. Sam diz, depois de um tempo em silêncio:

- Queria ter te contado antes, mas você estava tão feliz que não tive coragem de contar. Não queria que as coisas tivessem acontecido assim, mas o Paul é o meu ômega.

- Como tudo aconteceu? - questiono, sentindo a dor me possuir ao pronunciar essas palavras, mas precisava saber. E Sam conta.

- Foi duas semanas antes da gente conhecer o Paul na clínica. Ele estava na festa do Ed e senti uma atração e desejo por ele que não consegui negar. Quando percebi, estávamos em um motel e foi uma coincidência do destino quando nos encontramos na clínica. Tentei fugir do que sentia por ele, mas não consegui negar que estava apaixonado e que ele era o meu ômega, assim como sou o alfa dele. - Observo os olhares apaixonados trocados entre ambos. Como não percebi aquilo? Estava trabalhando demais e sendo feito de idiota pelo homem que amava e confiava com a minha vida. Imagino que eles devem ter rido muito de mim. Trinco os meus dentes, pego o meu celular, ligo o gravador e questiono, olhando para o Paul:

- Não entendo como a clínica autorizou você a ser a nossa barriga de aluguel, já que você estava grávido?

- A Doutora Clary é minha tia e implorei para que ela adulterasse os exames e me inseminasse. Queria continuar perto do Sam e sabia que era a única forma, mas ela me fez prometer que entregaria o bebê e que não sujaria o nome da clínica.

Rio, sentindo que vou enlouquecer. Sam me olha preocupado. Parecia que tinham me esfaqueado pelas costas e, realmente, foi isso mesmo.

Pergunto, curioso:

- Você iria entregar o bebê no final, Paul?

- Sam disse que iria dar um jeito e que, assim que o bebê nascesse, iríamos ser uma família, só nós três.

Engulo em seco, sentindo o coração se quebrar de vez. Como o velho ditado diz, a traição nunca vem do inimigo, mas sim de quem amamos. Olho para o chão e desligo a gravação.

- Já é o suficiente. - Digo baixinho, me recusando a renunciar à única coisa que me importava: o meu bebê.

- Uma pena que você só vai ter uma família com o Sam. E você pode ter outros filhos com ele.

- Não. Ele é o meu bebê, não pode tirá-lo de nós - nega em pânico, enquanto me olha. Desligo a gravação e digo friamente:

- Ele é meu, Paul. Você está sendo pago para gerar uma vida com gene de outras pessoas, meu e do Sam. Entendo que seja difícil entender as palavras pequenas quando você estava preocupado demais com o escroto do meu marido enfiando o pau no seu cu, mas daqui a três meses irei assistir ao seu parto e levar o meu bebê para casa. Pode ficar com o meu ex-marido como bônus.

- Não, não! Por favor, não! - implora, enquanto Sam o segura. Olho aquela cena sorrindo pela dor que eles estão sentindo. Não era um terço do que eu sentia. Sam tenta acalmá-lo e me olha com ódio.

- Não me olhe assim, Sam. Você me fez de idiota por sete meses, me fez acreditar que estava chegando o momento de ter o meu filho correndo pela casa. Sabe quantos turnos tive que fazer para bancar esse sonho? Não, você não sabe, porque só queria foder o seu ômega. Não vou deixar vocês levarem o meu bebê. Não posso e quero vocês dois fora daqui. - Digo firme.

Ele não me responde e assisto enquanto ele e o Paul vão até os quartos, pegando suas coisas. Eles saem de lá com duas malas e observo que Paul segura um ursinho que comprei. Ando até ele, pego-o de sua mão e não digo nada. Vejo quando eles saem da minha casa e me permito cair no chão, abraçando o ursinho de pelúcia. Não era justo comigo perder tudo assim.

Meu Beta - DISPÓNIVEL COMPLETO NA AMAZONHistórias para pegar e não largar. Descubra agora