Alicia Clark - 🌺
Era o último primeiro dia de aula e isso me deixava animada de certa forma. Mesmo que ultimamente as coisas em casa estivessem cansativas e insuportáveis.
Travis -meu padrasto- ainda costuma pegar demais no meu pé, sempre a mesma coisa!!
'Como manter as aparências ou isso pode arruinar seu futuro" e coisas desse tipo.
Enfim, depois de alguns meses de castigo estava finalmente livre dele e poderia ver Matt. Ele é um bom rapaz, estudioso, inteligente e super esforçado, mas Madison -minha mãe- influenciada por Travis, diz que eu deveria manter Matt por longe.
Por outro lado.. eu nunca realmente me apeguei a isso!!! Eu amava Matt e queria te-lo comigo para sempre, isso parecia certo e apostaria tudo nisso.
No carro, com minha mãe no volante, comentando sobre estar preocupada com meu irmão. Eu passava as músicas no aplicativo do celular, escolhendo uma para ouvir, quando finalmente virei e disse
— Ele sabe se cuidar, mãe. - Dei um sorriso forçado. — O Nick já é bem grandinho. E ele sempre volta, você sabe disso. - Disse colocando meus fone de ouvido.
A ida para escola foi tranquila, mamãe parecia outra pessoa sem Travis por perto.. eu gostava de momentos assim, mesmo que nós não trocassemos muitas palavras. E eram momentos que ficavam sempre marcados no coração.
Ela sorria.. enquanto dirigia centrada na estrada, parecendo livre sem o que se preocupar. Eu ouvindo as minhas músicas em paz, sem ele enchendo o saco dizendo o quanto fones faziam mal para nossa audição e bla, bla, bla.
Quando chegamos na entrada da escola, mamãe sorrindo depositou um beijo na minha testa, tirou um de meus fones e disse:
— Cuidado, por favor. - Passou a mão pelos meus cabelos. — Eu te amo, viu!? - Sorriu.
Desci do carro, coloquei meu fone novamente e disse de forma espontânea:
— Eu também te amo, mãe. - E segui escola adentro procurando por Matt.
Encontrei Matt no lugar de sempre- terraço da escola, encostado em umas barras de ferros presas no concreto ao chão, corri até ele, tirando e guardando meus fones na mochila.
— Ei. - disse ele sorrindo de orelha a orelha para mim. — Estava com saudade, achei que não iria vir hoje.
Balancei a mão e o beijei.
— Eu ia te mandar mensagem. Mas você sabe como estão as coisas. - Disse, enquanto sua mão quente acariciava meu rosto.
— Está bem, o Travis esta pegando no seu pé ainda? - perguntou com tom de preocupação de sempre, já que eu vivia nessas condições a anos.
— Está tudo bem… ehhh, o Travis é o Travis não tem muito o que fazer, né? - Dei um meio sorriso. — Já vou, a gente se vê no final da aula, aqui no mesmo lugar e na mesma hora, hum?
— Vou estar aguardando por você. - Disse selando um beijo na minha testa. — Sempre.
-🌺
As horas passavam e as palavras da senhora Sharon, minha professora de história, ecoavam pela sala em completo silêncio, já que ela odiava qualquer som, se não a própria voz.
O restante da manhã foi assim, professores cheios de si e aulas mal dadas. Eles pareciam não fazer questão de realmente ensinar, muito contrário da mamãe, ela sim ensinava e tudo o que eu não conseguia aprender aqui, era passado pra ela e explicado depois.
Sai da sala alegre, subindo as escadas até o terraço pulando de dois em dois degrais, mas Matt não estava por ali, talvez estivesse vindo.
Fiquei aguardando...
5 minutos..
10 minutos...
15 minutos se passaram.
Peguei o celular, e mesmo que isso fosse gerar algum tipo de desentendimento quando chegasse em casa, procurei e disquei o contato de Matt e como o esperado, chamada não atendida. Mandei uma mensagem, então.
“Já estou aqui, cade você??? Estou preocupada.”
Esperei por mais um tempo, aguardando sua resposta, e nada. Então, decidi descer tudo e ir em direção a pista de corrida e as arquibancadas, e ela também não estava ali.
Pensei comigo mesma por algum tempo e caminhei até sua casa.
Uma casa como qualquer outra, branca com inúmeras janelas e vidraças, com um gramado bem cuidado em frente e cheio de flores no canteiro direito. Bati a porta, uma, duas, três… e nada de resposta. Entrei.
— Matt. - Chamei, indo em direção a seu quarto, e ali estava ele jogado na cama, mais pálido que qualquer outra coisa, com os lábios tremendo e suando frio. — Pelos céus, o que aconteceu. - disparei.
Peguei o celular, e por alguns segundos cogitei em ligar para minha mãe, mas... achei melhor não.
Ao invés disso, corri até a cozinha, peguei uma bolsa de água e a preenchi, voltei para o quarto e a coloquei na testa de Matt.
— Eu estou aqui com você. - Disse limpando o suor que brotava de seu rosto.
— L— Lica. - Disse ele entre ofegos.
— Não se esforce. Vou ligar para a emergência. - Disse indo em direção ao meu celular.
No segundo toque uma atendente de voz doce atendeu e eu nem deixei ela completar a frase antes de dizer:
— Meu namorado… ele está estranho e muito, nada bem. Vocês conseguiram mandar um—. - Fui interrompida quando Matt largou de chamar por mim e sua respiração parecer cortada. — RÁPIDO, POR FAVOR. - Disse aos berros para o celular e a atendente além dele. O pavor já tomava conta de mim
No outro lado da linha ela disse: — Precisamos do seu endereço.
Matt começou a grunhir, me assustando o suficiente para eu jogar o celular no chão.
Eu conseguia ouvir a atendente chamando por mim, mas me aproximei de Matt, que agora estava tão pálido, que parecia cinza, morto, e seus olhos brancos envoltos por um vermelho sangue.
Quando tentei chamar seu nome, ele grudou no meu braço, tentando me morder.
— Matt, para... - Disse empurrando seu rosto. — Você está me machucando.
O barulho lá fora dos carros se batendo e alarmes apitando, pessoas gritando, helicópteros sobrevoando a cidade me fez sobressaltar, e sair de perto de Matt.
Peguei meu celular jogando na bolsa. E corri para a porta, a rua estava tomada pelo completo caos, pessoas comendo pessoas, peraí, eles estavam comendo uns aos outros, e aqueles que se alimentavam da carne humana, estavam iguais Matt.
Do outro lado um policial gritou: — Solta ele. - Sem resposta ele atirou no braço, a pessoa que estava se alimentando continuou, outro tiro, e mesmo assim a pessoa parecia não sentir absolutamente nada, outro tiro, e quando o policial menos esperava, outra pessoa como essa chegou por trás e mordeu seu pescoço.
Eu temia pela minha vida, não tinha ideia do que estava acontecendo...
Mas isso foi o suficiente para eu correr sem olhar para trás.
—🌺
( Alguns anos se passaram desde o início apocalipse )
Enquanto eu limpava minha espada, depois de ter matado 7 deles, que se juntariam a uma orda que já estava grande, suspirei a embainhado novamente e colocando na cintura.
Sorri para mim mesma, já que estava a um bom tempo sozinha.
Tinha me separado do meu grupo a alguns meses, e desde então, não os vi mais. E era por eles e por ela que eu procurava, não importa se é o fim do mundo e os mortos andam por aí, eu preciso vê-la pelo menos uma vez e acredito que ela está viva.
Preciso ir além dos mortos e ver seu rostinho mais uma vez!
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Além dos Mortos
Fanfiction🪷 SINOPSE 🪷 Qual o gosto da solidão? Tal essa que nossa garota conhece bem, mandada ainda criança a um 'internato' crescendo longe do pai e sem apoio, quando o caos se estala no mundo trazendo mortos à vida querendo dilacerar tudo e qualquer coisa...
