P.O.V
🌟ESTRELA🌟
Caminhamos em silêncio por umas 2 horas no máximo e avistamos um carro do outro lado da estrada em que estávamos, um Chevrolet Opala verde com duas listras pretas no capô.
Será que tem gasosa?- perguntou ele parando em frente a estrada
Dei de ombros soltando um "não faço ideia", andando em direção do carro olhando para ambas as direções da estrada
Se ele sabe dirigir? Não faço ideia, mas espero que sim, porque o carro tem gasolina para umas 4 horas a fio
-Espero que saiba dirigir Sr. Ree. Dá pra 4 horas creio eu
-Vai adiantar nossa viajem... então vamos pra rodovia 85?
-uhrum, bora lá -entro e sento no banco do passageiro enquanto ele senta no do motorista e liga o carro, partindo rumo a rodovia interestadual 85
Passamos por alguns mortos no caminho mas nada que preocupante, devia fazer uma hora e meia que estávamos na estrada, encontramos algumas pessoas no caminho -um grupo com 3 adultos e 2 crianças- eles estavam indo por uma rota contrária a nossa, pareciam ser legais, menos o garoto que estava com eles, ele tinha uma cara de irritado e descontente
Não creio que tenha algo de contente em meio ao apocalipse...
-A gasosa tá acabando, tá acabando o reserva.. melhor não arriscar, vamos prosseguir andando a pé- diz estacionando o carro no canto da estrada e descendo
-Pela floresta de preferência - ele continua me olhando, então prossigo- menos chance de topar com um grupo morto ou até mesmo pessoas
-Evitar pessoas o máximo possível Glenn, foi assim que consegui viver por tanto tempo sozinha- pego a bolsa e ajeito no ombro, pegando a M4 também- nem todas as pessoas são boas, ainda mais no fim do mundo, todo cuidado é pouco
-... Tudo bem, vamos pela floresta- ele responde por fim -com cara de interrogação- pegando suas coisas
Fechamos o carro e entramos na floresta.
Agora deve ser umas 2 da tarde, não temos muita noção de tempo
A floresta tava quente, hoje era um daqueles dias que você iria prefirir ficar na piscina doque no meio do mato correndo de mortos -que é o que estávamos fazendo no momento- correndo de 5 mortos.
Decidimos que não precisava matar eles já que estamos só de passagem e provavelmente perderíamos tempo de luz, munição e força. Então decidimos só continuar a correr e despistar eles em algum momento -coisa rápida já que eles andam de modo "normal" pra um morto-.
-Uffa... E-eu já cansei de correr- soltei assim que parei de correr me jogando sentada no barranco de terra mais próximo.
Glenn encostou numa árvore qualquer, colocando a mão no peito e depois passando-as no rosto pra tirar o suor -T-o m-o-r-r-e-n-d-o- soletrou pausadamente por causa da falta de ar
Só mandei um joinha positivo pra ele
-Vamos acampar por aqui mesmo beleza?
-Tem meu apoio, não aguento mais andar de qualquer jeito..
Assim procuramos um local adequado, enquanto Glenn foi dar uma olhada ao redor eu coloquei armadilhas, um fio de crochê que eu tinha na mochila onde pendurei garfos, colheres e qualquer coisa que faça barulho, super fácil só pra fazer barulho e indicar que tinha alguém ali.
Pra nós deitar tinha um cobertor grosso e usariamos as mochilas como travesseiro
Glenn trouxe o jantar, que seria duas latinhas de feijão e uma de salmão, não dá pra reclamar pelo menos vamos comer algo, mas eu preferiria se fosse uma macarronada daquelas bem caprichada no molho de tomate e queijo.
Depois de comermos eu estava sem sono então fiquei com o primeiro turno, a noite estava até que tranquila com um clima agradável e fresco se não tivessem mortos querendo dilacerar nossa carne
Fiquei de vigia até meia noite ou uma da manhã meu relógio pifou a bateria coitado, quando acordei Glenn mal falei com ele e já cai dormindo apagada, o mesmo me acordou quando estava quase clareando o dia umas cinco e meia por aí
Enquanto eu ia arrumando as coisas do nosso acampamento improvisado ele ia juntando o fio com as latas e guardando tudo na mochila
-Vamos seguir essas estradas, vai que tem casas mais pra frente -comentei colocando a mochila nas costas e batendo a poeira da roupa, seguiremos estrada a cima, até onde der e se tudo der certo sem morrer.
Estávamos aos arredores da cidade, talvez uns dois ou três quilômetros mata adentro, se dermos sorte encontraremos alguma casa
-Se a sorte tiver boa vamo encontrar comida-
Ainda tinha água no meu cantil e aposto que no do Glenn também, mas nunca se sabe.
Glenn ia na frente atento com a estrada e eu sempre olhava pra trás a alguns minutos eu juraria que tinha ouvido um barulho de galho, mas deve ser só a fome chegando
-Que tal apertarmos o passo? Tem uma casa lá na frente ó- apontou com o galho que estava em suas mãos pro horizonte a frente onde dava pra se ver um mísero pedaço de telhado
Provavelmente era sim uma casa ou cabana, e se estiver sido abandonada as pressas ainda terá mantimentos- mesmo que vencidos-
Apertando o passo chegamos lá em vinte minutos, o barulho de antes realmente era minha fome já que não ouvi mais nada, quando chegamos na casa que na real era uma cabaninha de caçador por um milagre divino ainda tinham enlatados
-Dois milho, uma barra de proteína e três pacotes de suco- disse rindo ao ver um pacote de absorvente ali também, -não me pergunte
Glenn só levantou as mãos em forma de rendição, dividimos as coisas e ele fez um suco de pêssego pra tomarmos enquanto comíamos o milho enlatado
-Aqui! São dois de melancia, um pra mim e um pra você- ele me tacou um pacote que peguei jogando a caixa do enlatado vazia no canto- guarda ele, pra nos lembrarmos um do outro sabe?-
Sorri ao ver que el--- meus pensamentos foram totalmente interrompidos por vários gemidos e galhos se quebrando
-Glenn! CORRE PRA LÁ
Mal peguei minhas coisas e corri pra fora da cabana, tinham vários mortos, eu corri pra mata atravessando a estrada me escondi atrás de uma árvore pra procurar por ele e o vi me procurando enquanto corria pelo lado de trás d cabana pro outro lado, zumbis saiam da casa e iam atrás dele que corria
Não tem como eu atravessar e ir atrás dele, tinham muitos e nunca os vi andando assim, juntos!
Eu não tinha escolha a não ser correr pro lado oposto do que ele foi, eram muitos e eu não conseguiria acabar com eles não sem um arranhão ou mordida
-INFERNOO!- esbeavejei ainda correndo mata adentro
Não fazia ideia de onde estava, já haviam se passado algumas horas não escutava mais passos e nem barulho algum, apenas o vento
Caí de joelhos no chão enquanto as lágrimas insistiram em cair rolando pelas minhas bochechas, peguei o pacotinho de suco de melancia lembrando do sorriso dele enquanto brincávamos na cabana a poucas horas
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Além dos Mortos
Fanfiction🪷 SINOPSE 🪷 Qual o gosto da solidão? Tal essa que nossa garota conhece bem, mandada ainda criança a um 'internato' crescendo longe do pai e sem apoio, quando o caos se estala no mundo trazendo mortos à vida querendo dilacerar tudo e qualquer coisa...
