Capítulo 2

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     Eu estou com meus amigos, os gêmeos Tweedledee e Tweedledum, também o chapeleiro, bom diz ele ser um chapeleiro, ele usa um chapéu em sua cabeça que alega ter feito ele mesmo, devo admitir que se for o caso ele é muito habilidoso.
     O chapeleiro é um velho de aparentemente uns cinquenta anos, os gêmeos parecem ter a minha idade, doze anos.
     - Vocês saberiam me dizer a semelhança entre um corvo e uma escrivaninha? - Diz o chapeleiro olhando para uma xícara de chá invisível.
     - Não, qual? - Pergunta um dos gêmeos.
     - Eu não faço ideia - Diz o chapeleiro rindo esteticamente.
     - Talvez por causa das penas - Digo olhando para eles.
     - Penas? - O chapeleiro olha para mim confuso.
     - Sim, antigamente se usavam canetas de penas.
     - Interessante obcervação cara Alice - Ele coloca a xícara invisível no chão.
     Estamos sentados no jardim do hospital, são seis horas, o único horário que temos livre todos os dias, mas ao mesmo tempo não me sinto livre.
    

  
     Logo me retiro da roda de conversa e começo a andar pelo jardim do hospital, posso ver alguns enfermeiros trocando algumas rosas brancas por rosas vermelhas, tenho certeza de que se pintassem seria mais prático. A diretora do hospital não gosta de rosas brancas, ela diz que as vermelhas dão mais cores para o lugar.
     - Alice, onde pensa que está indo? - O meu psiquiatra me para.
     - Não sei, estou apenas andando, mas se o senhor quiser pode me dar alguma direção, talvez para um lugar longe daqui.
     - Tem algum lugar em mente?
     - Não - Respondo colocando as mãos para trás.
     - Bom, para quem não sabe para qual lugar ir qualquer caminho serve, mas eu lhe recomendo ir para o seu quarto - Ele aponta para a direita.
     - Talvez, mas e aquela porta? - Eu aponto para a esquerda.
     - Você não está autorizada a ir para aquele local Alice.
     - Por qual razão?
     - Podemos dizer que não tem idade suficiente.
     - Então só posso ir quando tiver idade? E qual seria essa idade?
     - Bom, não é essa que está agora, melhor ir para o seu quarto pequena Alice, já está acabando o tempo de descanso e logo teremos a nossa sessão.
     - Garanto que o tempo possa esperar.
     - Se está tão positiva - Ele vai em direção a direita sumindo no meio dos pacientes.
     Eu ando em direção a porta, tento abrir e, está trancada, em seguida sinto alguém segurar o meu ombro, me viro para ver quem é.
     - Alice - Diz o enfermeiro - Tentando abrir portas que não deveria novamente?
     - Estava apenas explorando, nada de mais.
     - Aqui não é lugar e nem hora para a mocinha explorar, melhor ir para o seu quarto, não acha?
     - Precisamente senhor - Digo soltando a maçaneta.
     - Então seja uma boa menina e vá para o seu quarto, a diretora não iria gostar de saber que a senhorita anda explorando.
     - Uhum - Eu concordo com a cabeça e vou em direção ao meu quarto.
     Como já esperado, o meu psiquiatra estava me esperando sentado em uma cadeira ao lado de minha cama.
     - Olá Alice, foi explorar um pouco mais antes de nossa sessão? - Diz ele olhando para mim segurando uma caneta.
     - Pode se dizer que sim - Me sento em minha cama.
     - Fez algum desenho ou escreveu algo? - Ele aponta para uma pilha de cadernos em minha mesa de cabeceira.
     - Alguns desenhos - Eu pego e entrego a ele.
     - Fico feliz que tenha seguido o meu conselho Alice.

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