Capítulo Único

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ATO I — Atração entre iguais

— Você precisa sair de casa e arranjar um namorado — Namjoon diz do outro lado da linha telefônica. — Ou vai morrer solteiro e com burnout. É uma recomendação médica.

Taehyung revira os olhos. Namjoon nunca hesita em usar a carta "sou-formado-em-medicina" sempre que convém. É verdade que está levando muito trabalho para casa ultimamente. Mas ele ama ser um editor de livros. Que mal faz trabalhar um pouco mais do que os outros? Pode fazer o que quiser com o seu tempo livre.

— A cura para o burnout é ficar em casa assistindo dramas. Homem só dá problema. Pra quê vou querer um? — replica conforme rola pelos sites de busca.

Está procurando um local para sediar o evento de lançamento do livro em que está trabalhando. A equipe de marketing deveria se encarregar disso, mas Taehyung gosta de participar de todo o processo. Além disso, conhece o autor e o livro melhor do que ninguém. Então saberá que encontrou o local perfeito assim que colocar os olhos nele.

— Confie em mim — Namjoon insiste. — Esse amigo do Jimin é realmente legal. Ele é louco por livros como você, e é gostoso também.

— Mais gostoso do que o Jimin? — Taehyung arqueia a sobrancelha embora Namjoon não possa vê-lo.

— Ninguém é mais gostoso do que o meu bebezinho. — A voz dele adquire um tom altamente doce ao pronunciar o apelido.

— Não sei... — hesita. — Detesto sair com vocês dois.

Não é que Taehyung seja um cara amargo. O problema é que Namjoon e Jimin são o casal mais doce que conheceu em toda a sua vida. Doce ao ponto de causar diabete. Ele se sente uma tocha olímpica na companhia deles. Pior, Taehyung se sente profundamente solitário, porque nunca viverá um amor como o deles.

— Eu aposto que você e o Jeongguk vão esquecer da nossa existência rapidinho.

— Esse é o nome dele?

— É — diz. — Vamos lá. Se tudo der errado, pelo menos você fez um amigo novo.

— Tô precisando mesmo de novas amizades — reflete. — Porque meu melhor amigo tá preso em uma lua de mel interminável.

— Então, você vai? — a voz dele se ilumina.

Taehyung emite um suspiro profundo.

— Vou — cede. — É na boate Le boy, às 20h, certo?

Namjoon confirma as informações e diz para Taehyung não esquecer de levar camisinha e lubrificante, porque vai que rola... Taehyung desliga na cara dele antes que termine aquela sentença. Ele o ama. Mas, às vezes, Namjoon é intrometido demais.

Taehyung olha para o relógio e percebe que tem exatamente uma hora para estar na boate. Ele enrola no sofá, continuando sua difícil caça ao local perfeito para o lançamento do livro. Quando desiste de procurar, faltam apenas vinte minutos para as oito horas. Ele corre para o banheiro. Veste uma camiseta preta de veludo, gola alta e de mangas longas, com uma calça de couro e botas chelsea. Coloca uma corrente de ouro no pescoço e um relógio caro. Ele reparte ao meio seu cabelo liso, tingido de um tom de loiro-escuro, quase marrom. Então, antes de sair, enfia uma camisinha e um pacote de lubrificante na carteira por precaução. Como dizem, é melhor prevenir do que remediar.

Meia-hora mais tarde, Taehyung está descendo do táxi em frente à boate Le Boy. Aquele lugar remetia aos seus anos de faculdade, quando cursava Letras, e sonhava em trabalhar em uma editora. Não sabe quantas vezes perdeu a sobriedade no bar daquela boate ou quantos corpos fundiu ao seu nas cabines dos banheiros. O salão é iluminado por corpos dançantes, que refletem o jogo de luzes em tons de vermelho, rosa e púrpura, enquanto a música eletrônica vibra nas correntes sanguíneas. A mobília da boate é marrom, com mesas e sofás distribuídos de forma aparentemente desordenada. Há um bar de cado lado do salão, em que barmans seminus servem bebidas alcoólicos.

Ativo vs. AtivoOnde histórias criam vida. Descubra agora